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Correio da Manhã

Portugal
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ÁGUA ARDENTE FERE HOMEM

O homem vítima de queimaduras internas ao ingerir o líquido de uma garafa de água gaseificada poderá ficar com sequelas para toda a vida, tudo dependendo da gravidade das lesões e da forma como o organismo vai reagir nas próximas 48 horas.
25 de Maio de 2003 às 00:00
Carlos Custóias Peixeira, de 41 anos, agricultor, natural de Souto, concelho de Penedono, sofreu sexta-feira queimaduras na boca, laringe, esófago e estômago após ingerir o conteúdo de uma garrafa de água com gás da marca Carvalhelhos, num bar de Cavernães, Viseu.
O incidente ocorreu perto das 15h45, altura em que Carlos Peixeira, depois de almoçar com uns amigos em Silgueiros (Viseu) parou para saciar a sede no café de uma estação de serviço em Cavernães.
A vítima contou ao CM como tudo se passou: "Estava muito calor e parámos no café para beber alguma coisa. O meu irmão pediu uma imperial com gasosa e eu uma garrafa de água. Tirei a cápsula e bebi um gole. Passados poucos segundos senti um forte ardor desde a boca até ao estômago. Fiquei sem poder falar nem respirar e caí no chão. A minha sorte é que consegui vomitar, mas a água queimou-me por dentro. Ainda sinto muitas dores e não sei se vou ficar bom", referiu.
Aires Leal, chefe das urgências do Hospital de Viseu, informou que o paciente "está a reagir bem mas, devido à complexidade dos ferimentos, poderá ter de ficar no hospital muito tempo". E continuou: “Ainda é cedo para se dizer se vai ou não ficar com sequelas para toda a vida. Tudo depende da cicatrização das lesões.”
José Peixeiro, irmão da vítima, conta que apanhou "o maior susto da vida”. E explica: “Eu vi o meu irmão muito mal e quase morto. Não quero atribuir culpas a ninguém, mas a água estava contaminada com alguma coisa", especulou.
O proprietário do café onde ocorreu o incidente, João Marques, afirmou que a garrafa de vidro e de tara perdida estava dentro da validade, até 2005. Rejeita qualquer responsabilidade e assegura que a garrafa foi para as mãos do cliente intacta.
Pimenta Correia, director comercial da Carvalhelhos, diz que a empresa quer apurar responsabilidades, mas salienta que a garrafa em causa tinha pormenores “suspeitos”.
"O rótulo estava roto e sujo e na zona do gargalo tinha um resíduo branco que não sabemos o que é. Terá sido violada? Estamos averiguar do que se trata e vamos mandar amostras para o Instituto Ricardo Jorge, para análise. Vamos aguardar os resultados das investigações", referiu.
A delegação de Saúde de Viseu e a Inspecção-Geral das Actividades Económicas estão a investigar qual o produto corrosivo que provocou os ferimentos.
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