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Correio da Manhã

Portugal
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Ainda não fui ouvido pelas autoridades

Ainda não fui ouvido pelas autoridades”, assegurou ontem Paulo R, o educador que a Casa Pia suspendeu no dia 12 de Novembro por, alegadamente, estar envolvido no caso de um jovem da instituição que diz ter sido abusado durante uma festa de São João, em Junho, no ateliê dos escultores Carlos Amado e Lagoa Henriques, em Lisboa.
23 de Novembro de 2007 às 00:00
Fonte do Ministério Público adiantou ontem ao CM que Paulo R. vai ser chamado, nos próximos dias, para prestar declarações no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa
Quando for convocado, o educador já terá a seu lado um advogado: “É um caso muito complexo e eu tenho de me salvaguardar em todas as frentes, desde a laboral à criminal. Por isso, aliás, desde quarta-feira que não presto declarações.”
Paulo R, disse ainda que continua a receber o ordenado e que foi suspenso “oralmente” por Joaquina Madeira, presidente da Casa Pia, situação a que assistiu a assessora do Colégio de Santa Catarina, Fátima Duarte. “Isso aconteceu antes de ser publicada a notícia dos alegados abusos no ateliê de Carlos Amado [17 de Novembro]. Desde essa altura nunca mais soube da instituição. A doutora Joaquina Madeira disse-me que estava suspenso e que fosse para casa descansar durante uma semana e que depois logo se via.”
Passados dez dias desde essa data, Paulo R. acha “estranho” não ter sido contactado pela Casa Pia: “Como já disse, o que eu sei é verbalmente. Não tenho uma nota de culpa da instituição. Por isso é que já tenho um advogado. Se falto ao trabalho dez dias podem despedir-me.”
Sobre a presença de internos do Lar Cruz Filipe em festas patrocinadas por Carlos Amado, o educador garantiu que tal sucedeu pela primeira vez em Junho e frisou que não solicitou, por escrito, autorização à Casa Pia. “Os educadores do internato sempre tiveram autonomia para promover actividades que estivessem enquadradas. Logicamente, damos depois conhecimento disso às equipas técnicas. Eu não estava sozinho no Lar. Havia mais cinco pessoas, no mínimo. Não vou dizer se a directora sabia ou não da minha ida à festa em questão”, acrescentou o educador.
A concluir, Paulo R. afirmou estar de “consciência tranquila” e que “nunca abusou” de qualquer aluno da Casa Pia.
O CM tentou também obter uma reacção de Joaquina Madeira, mas a actual presidente da Casa Pia não atendeu o seu habitual telemóvel.
PGR ANUNCIA HOJE EQUIPA
O procurador-geral da República, Pinto Monteiro, anunciará hoje a criação da equipa multidisciplinar dedicada à investigação dos abusos sexuais. A composição da mesma é desconhecida, mas o CM apurou que a sua criação não foi determinada por novas denúncias de alunos da Casa Pia.
Pretende-se criar uma dinâmica de homogeneidade na investigação dos casos de abusos sexuais, que viveram um período de maior projecção após o primeiro escândalo de 2002. Desde então, o número de queixas cresceu, levando mesmo a que só do DIAP de Lisboa, liderado por Maria José Morgado, tivessem sido proferidas 24 acusações desde 2004. O CM apurou ainda que a equipa pode ter uma estrutura idêntica à constituúida para o Apito Dourado e que agora investiga a Câmara de Lisboa.
NERY ESTEVE NA FESTA
Rui Vieira Nery esteve na festa de São João que decorreu em Junho no ateliê de Carlos Amado e Lagoa Henriques em que dois jovens casapianos dizem ter sido abusados sexualmente. “Não vi nada. Nem sabia que lá estavam alunos da Casa Pia. O que vi foi um ateliê apinhado de gente. Com muitos amigos da casa, a maioria pessoas de muita idade e muita gente do bairro de diferentes gerações. Desde crianças de colo até aos avós”, disse, ontem, ao CM, o musicólogo e ex-colega de Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso num governo liderado por António Guterres. Vieira Nery adiantou, ainda, que nos poucos mais de 30 minutos que esteve no ateliê de Carlos Amado e Lagoa Henriques não se apercebeu de “nada que fosse desadequado”.
PROCESSO
Educador Paulo R. levou crianças do Lar Cruz Filipe da Casa Pia ao ateliê de Carlos Amado e Lagoa Henriques para participarem numa festa de São João, em Junho. Um dos jovens, de 14 anos, disse ao semanário ‘Sol’ que durante a festa foi abusado sexualmente. O Ministério Público já abriu um processo que se encontra em fase de inquérito.
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