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Correio da Manhã

Portugal

Ajuste de contas fatal

A ideia de que o pai tinha uma amante levou-o ao encontro da morte. Acompanhado pela mãe, um jovem de Coimbra foi pedir satisfações à mulher acusada da relação extraconjugal. Não chegou ao destino: foi atacado por um pitbull e depois assassinado com uma faca de cozinha.
13 de Setembro de 2006 às 00:00
Márcio Cruz, de 27 anos, foi atingido no abdómen e no peito, no domingo à noite, e morreu no bloco operatório dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC). O suspeito da autoria do crime é o filho da alegada amante, tem 18 anos e foi detido pela PJ, encontrando-se a aguardar julgamento em prisão preventiva.
Na noite de domingo, Márcio Cruz acompanhou a mãe ao Bairro do Loreto para resolver questões relacionadas com o envolvimento entre uma moradora da Rua Coronel Veiga Simão e o seu pai. A tentativa de resolução dos problemas familiares acabou por não passar das intenções, pois não tiveram tempo para falar com a mulher.
O filho da alegada amante do pai de Márcio Cruz atiçou um cão, de raça pitbull, e obrigou mãe e filho a fugirem pelos caminhos de terra que dão acesso à habitação.
“O rapaz começou por levar pancada à porta de casa da mulher [a alegada amante], depois desatou a fugir com medo do cão, mas o filho dela e outro amigo vieram atrás da vítima. O cão mordeu o rapaz, que ficou preso, saltaram todos para dentro do quintal de uma vizinha e foi quando o esfaquearam”, conta uma vizinha do homicida.
A vítima, que apresentava perfurações no abdómen e no peito, ainda foi transportada com vida para os HUC, onde faleceu na madrugada de segunda-feira. O esfaqueamento foi provocado, segundo um cunhado de Márcio Cruz, por “uma faca de cozinha”, afirmando a PSP ter-se tratado de um “objecto cortante com seis centímetros de lâmina”.
Apesar de já ter sido detido o autor do esfaqueamento, a família de Márcio Cruz julga existirem razões para haver mais detenções. “A mãe tem de ser presa, porque foi ela que deu a faca, assim como o outro rapaz que veio atrás do meu sobrinho e também lhe bateu”, referiu um tio da vítima.
'ESPANCADO E MORDIDO'
A família de Márcio Cruz vive em Vale Figueiras, a escassos quilómetros do local onde teve lugar o homicídio, razão pela qual, no domingo à noite, depressa chegou ao Bairro do Loreto. “Foi espancado, mordido e esfaqueado. Não foi uma nem duas facadas, foram várias. Quiseram mesmo matá-lo”, conta, com as lágrimas nos olhos, uma irmã da vítima. Em estado de choque, a mãe, Maria Filomena Cruz, não se conforma com o que se passou. “Vi o meu filho ser esfaqueado e não podia fazer nada, porque ameaçaram-me com uma faca se chamasse a Polícia”, esclarece. Este medo estava ainda ontem bem patente na família que, de uma forma geral, recusou falar muito sobre o caso, porque receava ser alvo de represálias e porque o caso os chocou bastante.
TRAGÉDIA DE FILHO QUE QUIS AJUDAR A MÃE
QUEDA
Depois de ser esfaqueada, a vítima tentou estancar o sangue com a ‘t-shirt’ que trazia vestida e andou alguns metros em direcção à estrada, até cair. Não resistiu aos ferimentos.
ÚNICO
Márcio Cruz, único filho homem de um casal com mais três filhas, era casado e deixa órfã uma menina de dois anos e meio. Morreu quando quis ajudar a mãe num conflito familiar.
FUNERAL
O funeral realizou-se ontem da capela da Ponte para o cemitério de Carvoeira, no concelho de Penacova, localidade de onde a família é natural. O ambiente era de grande consternação.
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