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Correio da Manhã

Portugal
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Alarme geral caça ladrão de taxista

Taxistas do Porto localizaram em Vila Nova de Gaia o carro roubado a um colega na madrugada de ontem na rotunda da Boavista, no Porto, e interceptaram o assaltante, a quem, antes da chegada da polícia, deram um “correctivo” que o obrigou a receber assistência hospitalar.
6 de Março de 2007 às 00:00
Taxista explicou que não reagiu pelo facto de o assaltante lhe ter encostado a faca ao pescoço
Taxista explicou que não reagiu pelo facto de o assaltante lhe ter encostado a faca ao pescoço FOTO: António Rilo
Pelas 00h20, Luís Galvão, de 29 anos, residente no bairro do Cerco, no Porto, estava estacionado com o táxi propriedade de seu pai na praça Mouzinho de Albuquerque, conhecida por rotunda da Boavista. Um indivíduo, que aparentava ter 30 anos, entrou no táxi como cliente e pediu para o levar a uma rua de Avintes, Gaia.
“Não desconfiei do cliente, conversador, descontraído e que de vez em quando cantarolava. Perto do local que me indicara, mandou-me parar. Foi então que, subitamente, puxou de uma faca e encostou-a ao meu pescoço, exigindo dinheiro, ameaçando que me matava”, contou o taxista ao CM. “Dei-lhe os únicos 50 euros que tinha. Ele até me revistou para ver se eu tinha mais dinheiro. De seguida, obrigou-me a sair e arrancou a toda a velocidade”, disse ainda Luís Miguel Galvão.
Abandonado, apercebeu-se de que tinha consigo o telemóvel, com o qual ligou para a Central de Táxis e para o 112, informando-os do sucedido.
Entretanto, um carro que passou no local deu-lhe boleia até ao posto da GNR dos Carvalhos, onde participou o assalto.
A GNR, a PSP e cerca de três dezenas de taxistas encetaram então buscas por algumas freguesias de Gaia. E foi no bairro de Quebrantões que encontraram o táxi estacionado. Nas proximidades localizaram também o assaltante.
“Os meus colegas telefonaram-me para o ir reconhecer. Era, de facto, ele. Dizia que precisava de dinheiro por ter uma filha no hospital”, afirmou Luís Galvão.
Quando a PSP chegou para a detenção, apenas encontrou Luís Galvão com o suspeito, que, como apresentava algumas escoriações, foi levado ao Hospital de Santos Silva a fim de ser assistido.
BOAVISTA É "ZONA DIFÍCIL"
Nos últimos tempos, taxistas da rotunda da Boavista foram vítimas de assaltos. No espaço de seis meses, este é o terceiro assalto, como disse Luís Galvão ao CM. “Situação complicada viveram-na colegas meus, com clientes que entraram naquele local. Felizmente que nada de mal lhes aconteceu, apenas lhes roubaram também os carros.” Luís Galvão conduz o táxi durante a noite, substituindo o pai, proprietário da viatura, que trabalha com o carro durante o dia. Conduz profissionalmente há cinco anos e este foi o primeiro incidente com alguma gravidade por que passou.
DETALHES
DROGA
O Bairro de Quebrantões, em Gaia, localizado sob a ponte ferroviária, é um dos mais problemáticos da cidade, pela sua conotação com o mundo da droga. Presume-se que o suspeito, de 33 anos, seja também toxicodependente. Depois de verificar o estado da viatura, o taxista reparou que o taxímetro e o rádio estavam danificados.
AGRESSÕES
Quando a polícia chegou para deter o suspeito, este estava apenas na companhia do taxista roubado, apesar da perseguição que foi movida ter mobilizado cerca de três dezenas de profissionais. A PSP admite que antes da sua chegada possam ter ocorrido agressões de retaliação sobre o ladrão, que foi assistido no hospital, donde saiu após assinar termo de responsabilidade.
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