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Correio da Manhã

Portugal

Álcool mata na estrada

Piores do que nós só os franceses e espanhóis. Um relatório divulgado ontem pela Comissão Europeia diz que 27% dos condutores portugueses, que morreram em acidentes de viação no ano passado, tinham uma taxa de álcool no sangue superior à legalmente permitida. Entre os 22 países europeus analisados, só em França (28,8%) e Espanha (29,5%) foram detectados mais casos de acidentes mortais que envolveram condutores com excesso de álcool.
28 de Abril de 2007 às 00:00
Portugal é o terceiro País da Europa onde há mais acidentes mortais por causa do excesso de álcool
Portugal é o terceiro País da Europa onde há mais acidentes mortais por causa do excesso de álcool FOTO: Vítor Mota
O major Lourenço da Silva, da Brigada de Trânsito da GNR, diz-se “surpreendido” com os números apresentados: “Quando fazemos operações de fiscalização, apenas dois a três por cento dos condutores são apanhados com excesso de álcool”.
Duarte Nuno Vieira, director do Instituto Nacional do Medicina Legal (INML), entidade que faz as autópsias às vítimas mortais de acidentes de viação, reage com preocupação aos números avançados pela Comissão: “27% é um valor muito elevado e muito preocupante. As nossas estatísticas também mostram valores dessa ordem, não só em relação ao álcool mas também ao consumo de estupefacientes”.
Os dados do INML relativos ao ano de 2006 mostram como o álcool e a estrada continuam a ser um casamento fatal no nosso país. Os médicos legistas autopsiaram 401 condutores que morreram na sequência de acidentes de viação e concluíram que 165 deles acusavam uma taxa de alcoolemia superior a 0,5 gramas por litro, o máximo permito por lei. Pior ainda, desses 165, a esmagadora maioria (132) tinham uma taxa igual ou superior a 1,2 gr/l, o que é considerado crime. Entre os intervenientes que sobreviveram a acidentes de trânsito, os números são ainda mais negros: em 3033 exames ao sangue realizados, cerca de metade (1838) acusaram álcool a mais. No início de Abril, 46 condutores estavam detidos nas prisões portuguesas por conduzirem com uma taxa de alcoolemia acima de 1,2 gr/l.
O relatório da Comissão Europeia ‘castiga’ Portugal num outro aspecto – o uso de cintos de segurança. Os ocupantes dos lugares da frente são cumpridores: 86% usam cinto, mas, quanto aos passageiros que se sentam no banco de trás, apenas 46% colocam o cinto quando andam de carro. O major Lourenço da Silva confirma que esta é “uma das infracções mais comuns nas estradas portuguesas e das que regista o maior número de autos”.
A Comissão Europeia não traz só más notícias sobre a sinistralidade das estradas portuguesas. Portugal está entre os três países que mais reduziram a morte nas estradas desde 2001, uma redução que ronda os 40 por cento. “Confirmo essa tendência. Só em 2006, a mortalidade foi reduzida em cerca de 24%. É tempo de deixarmos esse discurso pobrezinho de estarmos sempre na cauda da Europa”, diz Lourenço da Silva, da Brigada de Trânsito da GNR.
CONDUÇÃO PROIBIDA SIMULADA
“Não gostei nada. É estranho o carro não reagir como queremos. Não vale a pena arriscar”, disse ao CM Inês de Castro, de 16 anos, depois de experimentar o Alcokart, um simulador de condução sob efeito do álcool.
Integrado na Semana Mundial da ONU para a Segurança Rodoviária, os jovens da Escola Secundária Gabriel Pereira, em Évora, testaram este projecto da associação belga Responsible Young Drivers (Jovens Condutores Responsáveis), que consiste na utilização de um kart dotado de um mecanismo que permite alterar os tempos de reacção e assim mostrar as características da condução depois da ingestão de bebidas alcoólicas.
Adérito Araújo, presidente da GARE – Associação para a Promoção de uma Cultura de Segurança Rodoviária, diz que “os que experimentam estão a aprender a lição”.
SAIBA MAIS
19 989 condutores apanhados pela PSP e GNR com uma taxa de alcoolemia superior a 1,2 gr/l no ano de 2006. Foram feitos quase 504 mil testes.
38 902 Contra-ordenações por condução sem ou com má utilização do cinto de segurança pelo condutor ou passageiros em 2006, segundo dados da DGV.
SEGURANÇA RODOVIÁRIA
Ontem celebrou-se pela primeira vez o Dia Europeu da Segurança Rodoviária, uma iniciativa que pretende sensibilizar os europeus para uma condução segura.
PLANO EUROPEU
O relatório ontem divulgado pela Comissão Europeia foi elaborado no âmbito de um plano comunitário que tem por objectivo reduzir 25 mil mortes na estrada até 2010. No ano passado houve um decréscimo de 8% da sinistralidade rodoviária.
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