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Correio da Manhã

Portugal
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Aldeia de Cernadelo recebe Andreia em festa

Durante um ano consolaram a mãe da pequena Andreia. Agora querem partilhar com ela a alegria de ter a filha novamente nos braços. A festa que hoje recebe a menina, raptada com apenas três dias do Hospital de Penafiel, está a ser preparada pelos vizinhos da aldeia de Cernadelo.
17 de Março de 2007 às 00:00
Ao que o CM apurou, a menina vai chegar à terra onde a partir de agora vai viver – com os pais e três dos seis irmãos – ao colo da mãe e acompanhada por duas assistentes sociais da Câmara de Lousada. Será recebida em braços pelos populares. Espera-se que chegue antes da hora de almoço.
O irmão Paulo, de 15 anos, mal conseguia conter a excitação durante a tarde de ontem quando falou com o CM. “Se puder quero andar com a minha irmã ao colo durante toda a festa, mas toda a gente lhe vai querer pegar”, disse, acrescentando que “vai ser um lanche muito alegre, em que todos os vizinhos levam alguma coisa”.
FESTA NO DOMINGO
A aldeia de Cernadelo vai viver amanhã um dia que será recordado por muito tempo. Só o pai da pequena Andreia Elisabete não vai poder partilhar a alegria dos familiares, amigos e vizinhos, porque tem o pai doente e tem de lhe prestar apoio.
“Tenho muita pena de não poder estar na festa, mas sei que a menina vai estar bem com a minha mulher e os meus filhos”, explicou Albino Pinto.
Mas a festa de amanhã não será a única para celebrar o encontro. “No domingo vamos festejar em casa só com a família”, adiantou o irmão Paulo. Esta já sem foguetes mas com “muita alegria”, como confessou o adolescente.
O presidente da Junta de Cernadelo, Eduardo Taveira, disponibilizou à família Pinto “toda a ajuda que precisassem para a festa”, mas até ontem ao fim da tarde ainda não tinha sido contactado por ninguém. A partir de hoje começa uma nova vida para a família Pinto em que se reúnem todos em casa e integram a bebé nas rotinas familiares. Espera-se que, dada a tenra idade, a mudança não seja muito dolorosa.
MÃE DA RAPTORA VAI À CADEIA
Maria Beatriz Gomes, de 74 anos, não teve uma vida fácil. Um filho deficiente internado num lar, uma viuvez precoce, uma reforma antecipada por problemas de visão foram-lhe tirando aos poucos a alegria de viver. “Só me faltava isto”, lamentou ao CM, referindo-se à prisão da filha Alice, pelo rapto da bebé Andreia. “Foi no Natal que conheci a bebé e fiquei espantada porque não tinha visto a minha filha grávida”, começou por contar.
“Ela fez muito mal, nem sei o que lhe passou pela cabeça porque a minha filha era uma boa mãe, uma boa filha e uma boa vizinha. Era uma santa”, acrescentou. A idosa contou ao CM que durante a quadra natalícia assistiu a uma discussão da filha com o companheiro, Carlos Manuel, em que ele dizia à mulher “não sei como arranjaste essa criança, ainda vou descobrir de onde ela veio”.
Maria Beatriz não hesita: “Se ela ficar presa ele também devia ficar. Só denunciou agora e sabia desde sempre.” A mãe de Alice tenciona ir ver a filha à cadeia de Santa Cruz do Bispo “o mais rápido possível”. “Ontem [anteontem] já estava a caminho mas era muito longe e comecei a ficar nervosa. Resolvi voltar para trás”, diz, enquanto olha para uma fotografia da filha.
APONTAMENTOS
PADRE
O prior de Cernadelo, padre José Augusto, disse ao ‘CM’ que não foi convidado para a festa e que não está prevista nenhuma missa especial para hoje, até porque amanhã a eucaristia é noutra comunidade. “Rezei muito pela menina e agradeci a Deus pelo aparecimento”, disse o pároco. Em relação ao toque dos sinos, o pároco diz que tem de ser com a sua autorização.
PAIS
Ontem foi dado mais um passo na aproximação entre a pequena Andreia Elisabete e os pais, Isaura e Albino, que a foram visitar novamente à Casa do Caminho, em Matosinhos. O irmão Paulo foi às aulas, mas não conseguia conter a alegria que sentia quando falou com o ‘CM’. Hoje é festa e, por um dia, a aldeia esquece as dificuldades, para comemorar.
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