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Correio da Manhã

Portugal
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Condenado a 21 anos de prisão técnico de radiologia que abusou de crianças em Lisboa

Homem terá ainda de pegar uma indemnização de 35 mil euros às vítimas.
Miguel Curado 5 de Março de 2020 às 15:09
Tribunal
Tribunal FOTO: Getty Images
Foi esta quinta-feira condenado a 21 anos de prisão o técnico de radiologia que abusou de crianças em Lisboa. O arguido terá ainda de pagar uma indemnização de 35 mil euros às vítimas e fica proibido, durante 15 anos, de cuidar de crianças.

O tribunal decretou uma pena de 246 anos e nove meses de prisão, que resultou num cúmulo jurídico de 21 anos de prisão.

Recorde-se que um técnico de radiologia, de 48 anos, estava acusado de 2772 crimes de pornografia de menores, 70 de recurso à prostituição de menores e 33 de abuso sexual de crianças. Encontrava-se em prisão preventiva e foi julgado à porta fechada no Tribunal Central Criminal de Lisboa, onde será lido o acórdão esta quinta-feira.

Os crimes de abuso sexual foram cometidos contra duas crianças, à data com 6 e 15 anos, que irão receber do arguido uma indemnização no valor total de 35 mil euros (20 mil para o mais novo e 15 mil para o irmão).

Na leitura do acórdão, que decorreu esta tarde no Campus de Justiça, em Lisboa, a presidente do coletivo de juízes afirmou que "no essencial foram provados os factos resultantes da acusação".

A acusação do Ministério Público (MP) envolvia 2.772 crimes de pornografia de menores, 70 de recurso à prostituição de menores e 33 de abuso sexual de crianças.

No entanto, o arguido, um radiologista de 48 anos, foi condenado por três crimes de pornografia de menores agravada, 21 por recurso a prostituição e 33 de abuso sexual agravado, numa pena total de 21 anos de prisão.

Os crimes de pornografia de menores resultam do acesso, difusão e partilha de milhares de ficheiros de imagem e de vídeo com abusos sexuais de crianças através da 'darknet' (rede fechada a um grupo privado de pessoas), num 'site' gerido pelo arguido.

Segundo a acusação, em 2014 o homem conheceu a mãe das duas crianças "por intermédio de uma amiga comum, que o apresentou como sendo uma pessoa que gostava de ajudar famílias carenciadas".

O homem passou a frequentar a casa da mulher e aproximou-se dos filhos, e, nas visitas que realizava, levava produtos alimentares e emprestava dinheiro à família para pagar água, luz e gás.

Como forma de pagamento, o arguido passou a praticar atos sexuais com os menores, tendo oferecido, a cada um, uma bicicleta e ajudado a mãe a custear as passagens aéreas de uma viagem que fizeram a Inglaterra.

Para o coletivo de juízes, "não há dúvidas de que o arguido traiu a confiança da mãe" e utilizou estratégias "ardilosas para chegar às crianças".

Nesse sentido, o tribunal entende que os atos sexuais praticados pelo homem deixaram "sequelas no desenvolvimento das crianças", sobretudo na mais nova.

O tribunal justificou ainda a pena aplicada com a tendência do arguido para "cometer crimes desta natureza".

À saída da leitura do acórdão, o advogado do arguido recusou-se a falar aos jornalistas.

Lisboa crime lei e justiça punição / sentença violação abusos sexuais
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