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Correio da Manhã

Portugal

PJ prende oito civis que roubaram as armas de Tancos

Megaoperação da PJ visa capturar todos os autores do furto do arsenal de guerra.
Henrique Machado 17 de Dezembro de 2018 às 09:01
Tancos
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Uma megaoperação da Unidade de Contraterrorismo da Polícia Judiciária no centro do País, e sobretudo na zona de Tomar, com buscas e oito civis detidos, visa esta manhã capturar todos os autores do furto do arsenal de guerra, nos paióis do Exército em Tancos, a 29 de junho de 2017.

Executaram o crime, sabe o CM, em cumplicidade e às ordens de João Paulino, o ex-fuzileiro de 36 anos - já preso entretanto pelo posterior esquema encenado com a PJ Militar de reaparecimento da maior parte do arsenal - que escondeu o material de guerra na propriedade da avó em Portela de Carregueiras, Tomar. Entraram na base militar através de uma vedação que cortaram, transportando depois os explosivos, munições e granadas, em carrinhas, ao longo de 35 quilómetros até à propriedade da avó de João Paulino.

Hoje, para além das detenções, as mais de dez buscas em curso noutras propriedades ligadas aos suspeitos também são determinantes para a PJ tentar recuperar 1450 munições de 9 mm que não foram devolvidas a 18 de outubro de 2017, quando Paulino, articulado com militares da GNR de Albufeira e elementos da PJM, fizeram aparecer a maioria do material no local ermo na zona da Chamusca.

Resolvida a questão da farsa montada entre a cúpula da PJ Militar e elementos da GNR - o que levou, em setembro passado, a oito detenções, nomeadamente do diretor da PJM -, faltava à PJ civil resolver o caso da autoria do furto em si, que ficará arrumado com a operação de hoje.

Recorde-se que, face à pressão mediática do caso, com contornos políticos que já levaram às quedas de um ministro da Defesa e do chefe do Estado Maior do Exército, e à pressão da própria investigação da PJ, João Paulino contactou depois do furto um amigo da GNR de Albufeira, ex-pára-quedista, no sentido de devolver o material para aliviar a pressão, sem ser apanhado.

O militar falou com o chefe direto, na GNR, e este com elementos da PJM - tendo a proposta de encenação chegado ao diretor da PJM, que concordou com a mesma: o objetivo era ficar com os louros da apreensão e impedir a PJ civil de ter sucesso na investigação. Assim, foram à propriedade da avó de Paulino buscar o material, abandonando-o na Chamusca. E, entretanto, um elemento da PJM simulou uma chamada anónima para o piquete da PJM, a partir de uma cabine no Montijo, a dar conta do abandono do arsenal de guerra - telefonema atendido pelo major Vasco Brazão, outro cúmplice da farsa. Foram todos apanhados pela Unidade de Contraterrorismo da PJ e presos.

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