Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
1

Alerta ignorado leva a tragédia de Pedrógão Grande

Aviso laranja de calor dos especialistas não foi seguido pela Proteção Civil, que manteve o alerta amarelo.
Sérgio A. Vitorino 5 de Maio de 2018 às 08:13
Fogo varreu três concelhos e fez 66 mortos. Inspeção aponta falhas ao comando, que não conseguiu prever o caminho das chamas e tomar as medidas necessárias
Pedrógão Grande
Casa afetada pelo fogo em Pedrógão Grande
Incêndio em Pedrógão Grande
Fogo varreu três concelhos e fez 66 mortos. Inspeção aponta falhas ao comando, que não conseguiu prever o caminho das chamas e tomar as medidas necessárias
Pedrógão Grande
Casa afetada pelo fogo em Pedrógão Grande
Incêndio em Pedrógão Grande
Fogo varreu três concelhos e fez 66 mortos. Inspeção aponta falhas ao comando, que não conseguiu prever o caminho das chamas e tomar as medidas necessárias
Pedrógão Grande
Casa afetada pelo fogo em Pedrógão Grande
Incêndio em Pedrógão Grande
A Proteção Civil ignorou o aviso da Meteorologia, que devido ao calor colocou em alerta laranja o distrito de Leiria, dia 15 de junho do ano passado, e foi mantido no nível amarelo o estado de alerta especial do sistema de combate a fogos, quando se justificava o superior. E após o início do fogo em Pedrógão Grande, às 14h43 do dia 17, sucedeu-se um conjunto de erros, atrasos e falhas do comando com "danos gigantescos e irreparáveis", descreve o relatório da inspeção da própria Proteção Civil, agora divulgado pelo Ministério Público. Nesse fogo morreram 66 pessoas.

O inquérito revela que o desrespeito pela meteorologia, que os especialistas concluíram ter tido, através de trovoadas e instabilidade convetiva, um papel muito relevante na origem e rápida expansão das chamas, foi tal que apenas às 19h44, cinco horas após o alerta, foi pedido o primeiro modelo de previsão ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Este já dava conta da mudança em breve do sentido do vento e do grande aumento da sua força. Isto aconteceu 20 minutos antes de o fogo chegar à ‘estrada da morte’.

A inspeção revela que o primeiro posto de comando, rudimentar, apenas foi montado às 16h24 - "tardio e incipiente por falta de meios técnicos" - e às 18h41 foi feita a primeira setorização do que já se sabia ser um grande incêndio. E o posto foi, às 18h58, erradamente mudado para uma zona no caminho da "cabeça do fogo". O comando das operações não conseguiu fazer um planeamento do percurso do fogo, de forma a atacá-lo com eficácia, e teve como preocupação evitar que entrasse na vila de Pedrógão Grande.

Perdeu-se a perceção de onde andava o fogo e às 20h10 qualquer controlo das chamas: "Uma calamidade." Antes dessa altura, já o combate às chamas era "reativo", "deixando de haver qualquer antecipação das operações". Nem houve plano de evacuação das aldeias.

PORMENORES
Sem noção do fogo
Durante toda a noite e madrugada só se soube onde andava o fogo através dos pedidos de socorro, tal foi a falha do posto de comando. Só às 05h40 de dia 18 foi apresentada a primeira estratégia de ataque ao fogo, que não foi aplicada porque a prioridade era salvar aldeias.

72 horas depois
O posto de comando só começou a ficar mais organizado pelas 20h50 de dia 18. E cumpriu os deveres em pleno quando já tinham passado 72 horas desde o início do fogo. As chamas foram dadas como dominadas apenas às 16h00 de dia 21.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)