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Correio da Manhã

Portugal
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ALEXANDRINA PERTO DA BEATIFICAÇÃO

A Arquidiocese de Braga acaba de concluir o processo para a beatificação da Venerável Alexandrina Maria da Costa. A documentação, onde se defende o reconhecimento de um milagre na cura de uma mulher que sofria da doença de Parkinson, foi já enviada para Roma, a fim de ser apreciada pela Congregação do Vaticano para as Causas dos Santos.
4 de Outubro de 2002 às 23:47
Para que 'Alexandrina de Balasar' - conforme é conhecida pelo povo - possa subir aos altares da Igreja Católica, aquela Congregação e o próprio Papa terão de dar o seu aval, que assenta no exemplo de vida e na comprovação, sem qualquer margem para dúvida, da existência de um milagre.

Em causa está a cura de uma mulher que reside agora em Esmeriz, Vila Nova de Famalicão, e que decidiu recorrer à 'santinha' depois de 12 anos de sofrimento devido à doença de Parkinson, conforme consta do seu processo clínico em Estrasburgo, França, onde vivia na altura.
Este caso clínico foi estudado nos últimos meses por uma equipa formada pelo médico João Rafael Garcia e pelos especialistas em neurologia João Manuel Leite Ramalho Fontes e Carolina Lobo de Almeida Garrett, a par dos membros do tribunal eclesiástico nomeados pelo Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga.

A cura da mulher foi considerada "um facto que não se pode explicar natural ou cientificamente". Na sessão em que foi fechado e lacrado o processo documental, D. Jorge sublinhou que "a santidade continua a ser algo moderno e acessível", acrescentando ainda que ser santo "não é privilégio de alguns, mas um caminho para todos".

Um pequeno quarto de uma casa simples situada em Balasar, Póvoa de Varzim - onde Alexandrina viveu desde o nascimento em 30 de Março de 1904 até à morte a 13 de Outubro de 1955 - tem recebido milhares de fiéis que preencheram mais de uma dezena de cadernos com testemunhos de graças recebidas.

A saga da potencial futura beata portuguesa começou aos 14 anos de idade, quando se atirou de uma janela para fugir a um homem que abusivamente entrou em sua casa. O estado de saúde agravou-se progressivamente, ficando imóvel em 1925 e mantendo-se no seu quarto até à morte. Nos últimos 13 anos de vida, manteve-se alimentada apenas pela hóstia recebida na Comunhão diária e chegou a sentir as dores da crucificação e flagelação de Cristo.
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