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Correio da Manhã

Portugal
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Algarve é um alvo para o terrorismo

O Algarve “é o alvo preferencial” de um ataque do terrorismo islâmico em Portugal – disse ontem em Portimão o secretário de Estado adjunto da Justiça, Conde Rodrigues.
16 de Fevereiro de 2007 às 00:00
O grande afluxo de turistas à região é um factor que, segundo fontes da PJ, permite aos terroristas passarem despercebidos
O grande afluxo de turistas à região é um factor que, segundo fontes da PJ, permite aos terroristas passarem despercebidos FOTO: Luís Forra, Lusa
Conde Rodrigues, que falava numa conferência sobre ‘Globalização e Segurança – Impacto no Turismo’, promovida pela Associação Sindical dos Funcionários da Investigação Criminal da PJ (ASFIC), esclareceu que tal se deve à “forte componente turística” da região.
Posição idêntica foi manifestada pelo presidente da ASFIC, Carlos Anjos, para quem o facto de o Algarve “ter um grande afluxo turístico e uma população altamente flutuante permite a um terrorista passar facilmente despercebido”. Além disso, referiu ao CM, “é uma zona de grande diversidade cultural, com muitos residentes estrangeiros (alguns dos quais vivem até em comunidades alternativas, na serra)” e onde se tem registado um “grande boom urbanístico”.
“Embora sejamos sobretudo um país de recuo para terroristas, o facto é que o terrorismo islâmico escolhe como alvos locais onde possa atacar questões culturais do Ocidente e uma qualquer acção terrorista numa zona turística como esta – onde, sobretudo no Verão, há gente de muitas nacionalidades – seria muito visível, potenciaria o terror e teria uma forte repercussão mundial”. Esta situação justifica “uma particular atenção” das forças de segurança, nomeadamente da PJ e do SIS sobre a região: “Só a PJ tem cá dois departamentos (Faro e Portimão), com uma centena de elementos de investigação”, disse Carlos Anjos.
“A grande preocupação é prevenir”, afirmou, destacando o trabalho de recolha de informações que envolve a cooperação entre forças de segurança, tanto a nível nacional como internacional.
“Mas este é um tema em que não pode haver conferências de imprensa: não se pode divulgar o que foi feito, para preservar o sentimento de segurança das pessoas”.
PORTUGAL 'ABRIGA' TERRORISTAS
O nosso país “tem sido um destino de recuo para terroristas”, que por cá ficam, “adormecidos”, durante períodos curtos – disse ontem o director nacional adjunto da PJ, Teófilo Santiago. Iniciativas de carácter social promovidas em Portugal por ONG (Organizações Não Governamentais) de inspiração islâmica podem “servir de cobertura a alguns radicais para a sua actividade de recrutamento de terroristas”, diz o mesmo director.
A maior ameaça sobre o nosso país, de acordo com Teófilo Santiago, prende-se com a “falsificação de documentos de identificação, auxílio à imigração ilegal, casamentos brancos [de conveniência para obtenção da nacionalidade portuguesa], fraudes com telecomunicações e cartões electrónicos” – crimes que “podem servir ao financiamento do terrorismo”. Fonte da Mesquita de Lisboa garantiu entretanto ao CM que “não há ONG islâmicas em Portugal”.
ESCUTAS SÃO ESSENCIAIS
O director nacional adjunto do Combate ao Banditismo da PJ defende que “em casos de risco de vida – como em raptos ou sequestros – o acesso aos dados de tráfico e intercepção, pelo menos do telefone das vítimas”, deveria ser imediato, ultrapassando as actuais burocracias legais.
Teófilo Santiago considera serem as escutas telefónicas e a vigilância electrónica “essenciais para controlar o crime organizado”, não podendo “ser postas em causa devido a situações de utilização indevida ou excessiva”. “O mau uso deve ser punido”, sustentou. Adiantando contudo que seria um “retrocesso” se, por esse motivo, “se limitasse o acesso a esse meio especial de investigação a quem tem por missão zelar pela segurança das pessoas e bens”.
DADOS
PORTO
Três imigrantes marroquinos, suspeitos de ligação ao Grupo de Hofstad, ramo holandês dos Mártires de Marrocos, foram detidos no Porto pela Polícia Judiciária, na véspera da abertura do Euro’2004. O mais importante era Mohamed Bouyery, envolvido no assassínio do cineasta holandês Theo Van Gogh, nesse mesmo ano.
COMUNIDADE
No Algarve, a comunidade islâmica é composta por mais de duas mil pessoas, com lugares de culto distribuídos por três locais: Armação de Pêra, Portimão e Albufeira. Responsáveis da PJ asseguram, contudo, que a comunidade islâmica está perfeitamente integrada entre nós e os seus líderes mantém relações próximas com as autoridades portuguesas.
MODELO
Para o responsável pelo Combate ao Banditismo da PJ, Portugal é “o modelo a seguir” em termos de prevenção e combate ao terrorismo. Teófilo Santiago sustenta que o modelo da PJ tem “virtualidades ímpares” - coerência funcional e operacional e respeito pelos direitos e liberdades individuais. “É mais eficaz vigiar do que punir”, diz. A DCCB tem unidades especiais para a recolha, análise, tratamento da informação sobre terrorismo.
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