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Correio da Manhã

Portugal

Algarve na rota dos terroristas

As polícias e o Serviço de Informações de Segurança (SIS) estão com atenção redobrada à movimentação de suspeitos de ligação à al-Qaeda entre o Sul de Espanha, onde existe uma grande comunidade islâmica, e o Algarve – garantiram ontem ao CM diversas fontes policiais .
15 de Janeiro de 2006 às 00:00
Algarve na rota dos terroristas
Algarve na rota dos terroristas FOTO: Ilustração de Ricardo Cabral
“Há imensos magrebinos a circular no Algarve e isso leva-nos a uma vigilância redobrada”, disse fonte do SEF, que sublinhou o “grande controlo que é efectuado sobre a fronteira mista, na Ponte do Guadiana”, em Vila Real de Santo António.
Foi, aliás, por esta ponte que entrou a pé no nosso país, em Março de 2004, o bielorrusso Serguei Malishev, que também usa os nomes de Amin Al Ansar ou Andrei Mansuri. Este homem de 30 anos – segundo se sabe agora através de informações de Espanha – foi treinado na Tchechénia e Azerbaijão. Passou pelo Paquistão, onde obteve formação religiosa. É considerado, por vários serviços secretos europeus, como um especialista em armas químicas e um operacional da al-Qaeda.
Quando o SEF o interceptou na Ponte do Guadiana, Malishev, de barba e cabelos compridos, não tinha documentos – e recebeu ordem para sair do País. Mas no dia seguinte estava de volta. Acabou por ficar detido dois meses, na prisão de Faro. As autoridades portuguesas entregaram-no então à Bélgica, país onde ele pedira asilo político. Os belgas libertaram-no – e Malishev foi detido, em 19 de Dezembro último, em Palma de Maiorca, no Sul de Espanha, numa operação que se estendeu a Lérida, Málaga e Sevilha e na qual foram detidos mais 14 suspeitos de ligações à al-Qaeda.
Ontem, na Áustria, os ministros europeus da Justiça decidiram reforçar a Europol com vista a facilitar a troca de informação entre as polícias.
IRMÃO DE BIN LADEN ESTEVE CÁ
Abdullah Azine Bin Laden, irmão do líder da al-Qaeda, esteve no Algarve (na zona de Porches) e em Lisboa dois meses antes dos atentados de 11 de Setembro, admitindo-se que tenha mantido contactos com células terroristas no Sul de Espanha. Trazia passaporte norte-americano e permaneceu uma semana em Portugal.
O Governo confirmou em Outubro a passagem de Azine pelo nosso país. Outro suspeito de terrorismo que passou pela região é Mehdi Mohammed Ghezali, de nacionalidade sueca.
Detido em Guantanamo por ligação à rede, Ghezalli, filho de pai argelino e mãe finlandesa, esteve preso 13 meses, em Silves, por assalto a um banco em Albufeira e ainda por furto de jóias, na Galé. Libertado onze meses antes do 11 de Setembro, seguiria para o Afeganistão.
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