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Correio da Manhã

Portugal
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"Alguns pensavam que podiam voar": Testemunhas recordam o dia em que Rabo de Peixe foi 'inundado' de droga

Dezoito anos depois de 150 milhões de euros em droga terem dado à costa, ainda são visíveis as consequências.
Tânia Laranjo 8 de Novembro de 2019 às 01:30
 Há 18 anos toneladas de cocaína deram à costa em Rabo de Peixe nos Açores
Há 18 anos toneladas de cocaína deram à costa em Rabo de Peixe nos Açores
 Há 18 anos toneladas de cocaína deram à costa em Rabo de Peixe nos Açores
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Há 18 anos toneladas de cocaína deram à costa em Rabo de Peixe nos Açores
 Há 18 anos toneladas de cocaína deram à costa em Rabo de Peixe nos Açores
 Há 18 anos toneladas de cocaína deram à costa em Rabo de Peixe nos Açores

Dezoito anos depois, Rabo de Peixe, no norte da ilha de S. Miguel, Açores, ainda vive o fenómeno da droga. Mais de uma tonelada e meia de cocaína deu à costa - depois da avaria de um iate que devia dirigir-se para as Ilhas Baleares -, mas só foram recuperados pouco menos de 400 quilos. O resto ficou na vila, uma comunidade piscatória que sofre os efeitos do consumo exagerado. Uma região que não esquece o mês de junho de 2001, quando o mar devolveu dezenas de fardos de cocaína escondidos em grutas no mar.

"Nessa altura havia muita droga, todos experimentámos e a maioria gostou. Alguns enriqueceram, outros pensavam que podiam voar. Muitos morreram", conta João, traficante e consumidor, ainda hoje ‘agarrado’ ao consumo de estupefacientes. "Encontrámos 100 quilos, experimentei um grama e meio e fui logo parar ao hospital. Era muito pura", recorda o pescador, que garante ter pedido para que a droga fosse devolvida, para não ser vendida na localidade. "Não foi e havia muita. Espalhou-se rapidamente".

A cocaína, que em 2001 deu à costa ao largo dos Açores, era vendida ao desbarato. Avaliada em 150 milhões de euros, era servida ao copo. "Um copo de cerveja custava 25 euros. Quem a comprava também a vendia outra vez. O objetivo era fazer dinheiro para voltar a consumir", recorda outro pescador que também consumiu a droga ‘espalhada’ por António Quinzi, o único tripulante italiano que acabou condenado a 10 anos de cadeia.

"Uma vez fui para o hospital porque me atirei para a banheira e feri-me gravemente. Mas precisávamos de fazer isso, de sofrer um choque quando o coração acelerava muito", continuou.

Quase duas décadas depois, a droga é uma realidade em Rabo de Peixe. Estima-se que quase metade da população adulta seja consumidora.

Suspeito traído pelo pacote de um quilo de ‘coca’ que ainda restava
O coordenador da PJ dos Açores, Renato Furtado, falou com o CM sobre a investigação ao suspeito, traído pela própria droga.

"Curiosamente foi apenas encontrado um pacote de um quilo de cocaína no veleiro, que tinha a mesma embalagem daqueles que tinham sido apreendidos". Durante dias, populares entregaram pacotes de droga à PJ.

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