Fazer baixar a febre ou procurar o alívio imediato de uma dor forte levam as pessoas a recorrer aos anti-inflamatórios. Por dia são mais de 800 mil os que tomam esses medicamentos, num gesto que pode causar complicações de saúde e até risco de vida.
Metade dos indivíduos tem queixas e hemorragias digestivas e dez por cento desenvolve úlceras. Nos casos mais graves, entre cinco a dez por cento dos internados com complicações provocadas por esse consumo acabam por morrer.
O alerta para os perigos do consumo excessi-vo de anti-inflamatórios, muitas vezes devido à automedicação, partiu da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG). Em declarações ao CM, o seu vice-presidente, o gastrenterologista Hermano Gouveia, adverte para riscos muitas vezes ignorados. “A maioria das pessoas toma um anti-inflamatório para aliviar uma dor quando em muitos casos resolvia o problema com um paracetamol. Além disso, muitas pessoas aumentam a dose porque a dor não passa ou prolongam o tratamento e acabam por adquirir lesões do fígado. Para saber isso basta fazer uma análise clínica e ver as alterações registadas devido à toma deste tipo de medicamentos.”
Hermano Gouveia salienta que existe um maior risco de efeitos secundários graves quando o doente toma estes medicamentos sem a supervisão de um médico. “Temos uma população envelhecida com várias patologias associadas. Se tem mais de 60 anos, toma uma aspirina para proteger o coração, cortisona e um anti-inflamatório, estão reunidos os factores de risco para ter graves problemas, por exemplo uma hemorragia digestiva ou falência do fígado, porque estes medicamentos potenciam os seus efeitos.”
CEM INTERNADOS EM COIMBRA
Todos os anos são internados nas Unidades de Cuidados Intensivos dos Hospitais da Universidade de Coimbra mais de cem portugueses devido a efeitos secundários provocados pelos anti--inflamatórios não esteróides. Hermano Gouveia, gastrenterologista nesse estabelecimento de saúde, admite que “cinco a dez doentes – cinco a dez por cento do total – acabam por morrer”. Além disso, 80 por cento das hemorragias digestivas é provocada pelo consumo de anti-inflamatórios. “Alguns anti-inflamatórios são de venda livre, dispensam a receita médica, e a falta de informação dos portugueses sobre os riscos que estes medicamentos representam leva a Sociedade [Portuguesa de Gastrenterologia] a alertar para este facto e para a necessidade de serem tomados sob a supervisão de um médicos.”
Recentemente surgiu uma nova classe de anti-inflamatórios, os coxibes, assim chamados pela sua terminação, aparentemente mais segura em termos gástricos. Contudo, segundo a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, verificou-se que provocam igualmente problemas graves, nomeadamente do foro cardíaco, o que motivou a retirada do medicamento da marca Vioxx (com a substância activa rofecoxib) do mercado mundial e a não autorização de comercialização da substância activa etoricoxibe pela autoridade norte-americana do medicamento, sendo este último um anti-inflamatório muito utilizado em Portugal. Em Agosto, os perigos inerentes àquela classe de medicamentos evidenciaram-se quando surgiram problemas hepáticos bastante graves, provocados pelo mais recente fármaco desta classe: o lumiracoxibe. Isto levou à sua retirada dos mercados da Austrália e da Nova Zelândia e à recomendação das agências europeia e portuguesa do medicamento de cuidados especiais e restrições na utilização.
NIMESULIDA
As autoridades da Irlanda suspenderam este ano a comercialização dos fármacos com base na nimesulida devido ao risco de reacções hepáticas adversas. Esta substância, que é o anti-inflamatório mais vendido em Portugal, foi sujeita a avaliação pela autoridade europeia do medicamento.
EFEITOS ADVERSOS
Hemorragias do estômago, do fígado ou do duodeno podem ser algumas das consequências de uma toma de anti-inflamatórios exagerada e sem qualquer supervisão médica.
FACTORES DE RISCO
Ter mais de 60 anos, historial de úlcera gástrica ou factores de risco cardiovascular (hipertensão e colesterol) são, para a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, factores que aumentam as complicações no uso de anti-inflamatórios.
800
Mil portugueses, em média, consomem todos os dias pelo menos um anti-inflamatório, quando muitas vezes poderiam fazer desaparecer as dores com um comprimido de paracetamol.
10
Por cento das vítimas de graves complicações provocadas pela toma dos anti-inflamatórios não resiste aos danos provocados no organismo e acaba por morrer.
PROTECÇÃO GÁSTRICA
Este tipo de medicamento pode ajudar a reduzir os riscos provocados pelos efeitos secundários dos anti-inflamatórios. Os gastrenterologistas defendem que os doentes devem consultá-los para vigilância clínica.
HELICOBACTER PILORY
É uma bactéria bastante comum entre os portugueses e que constitui um factor de risco para o doente que necessita tomar um anti-inflamatório.
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