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Correio da Manhã

Portugal
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Alqueva impróprio

Os coliformes fecais, sinal da presença de esgotos não tratados na água, são os principais responsáveis pela interdição de banhos na albufeira do Alqueva. Esta não é, contudo, situação única no País. Dados do Instituto da Água (Inag) mostram que apenas 24 por cento das albufeiras nacionais tem água com qualidade suficiente para ir a banhos.
25 de Junho de 2006 às 00:00
Má qualidade da água compromete desenvolvimento turístico
Má qualidade da água compromete desenvolvimento turístico FOTO: Alexandre M. Silva
Os níveis de poluição no Alqueva suscitam maior preocupação pois comprometem as expectativas de desenvolvimento turístico em torno da albufeira (16 mil camas previstas). Mas é precisamente a possibilidade de utilização da água neste contexto que tranquiliza o presidente do Inag. Orlando Borges acredita que os empreendedores cuidarão de assegurar o mais sofisticado tratamento possível das águas residuais, de maneira a protegê-las do meio receptor: o rio Guadiana e as suas albufeiras.
Neste momento, os níveis de poluição do Alqueva reflectem o deficiente ou inexistente tratamento dos esgotos produzidos nos concelhos que para lá drenam. O Guadiana arrasta igualmente as águas residuais de cerca de um milhão de pessoas do outro lado da fronteira, bem como produtos químicos usados na agricultura na Extremadura espanhola.
Uma vez que, nos termos da Directiva Quadro da Água, tais descargas de esgotos domésticos e industriais serão penalizadas a partir de 2007, a Extremadura está a pôr em prática a construção de infra-estruturas de tratamento.
Segundo informação do Inag, 44 por cento das albufeiras apresenta água de qualidade razoável, mas isso não significa que possa tomar-se lá banho. Significa que serve para irrigação, usos industriais e produção de água potável “após tratamento rigoroso”. Esta água permite a existência de espécies menos exigentes de peixes, com reprodução aleatória, bem como actividades de recreio, “sem contacto directo”. A qualidade da água é má – uso apenas na irrigação – em 23,1 por cento das albufeiras e 8,7 por cento muito má: não deve ser usada para nada.
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