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Correio da Manhã

Portugal
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Alto funcionário da UE em rede pedófila

A Interpol tem informações sobre pedófilos activos em toda a Europa e uma delas foi preciosa para a Polícia Judiciária nos últimos meses. O CM sabe que diz respeito a um predador sexual francês, alto funcionário da União Europeia – e foi uma denúncia com origem nesta investigação que ajudou a PJ a partir, na segunda-feira, para a megaoperação em todo o País de combate à pornografia infantil.
11 de Outubro de 2007 às 00:00
A Polícia Judiciária apreendeu 148 computadores na Operação ‘Predador’. A investigação teve em conta informações internacionais
A Polícia Judiciária apreendeu 148 computadores na Operação ‘Predador’. A investigação teve em conta informações internacionais FOTO: João Miguel Rodrigues
Em causa está a partilha de ficheiros na internet com conteúdos pedófilos – através de programas como o ‘Hello’, ‘BBS’ ou ‘E-mule’. E apesar de não serem claros os contornos da ligação entre o predador francês e dezenas de portugueses apanhados anteontem, um responsável da PJ confirma ao CM que, entre os 80 utilizadores identificados, “constam várias pessoas de elevado extracto social” (ver caixas).
A maioria destes potenciais pedófilos foram apanhados pela operação ‘Predador’ na Grande Lisboa, depois de 300 inspectores terem avançado para 75 locais identificados na rede. A PJ só chegou aos assinantes dos serviços de internet, seis dos quais em empresas, mas depois da análise aos 148 computadores espera apanhar mais de 80 consumidores de pornografia infantil na internet.
Quanto ao francês que contribuiu para a investigação, “o casamento ‘alibi’” com uma cidadã africana – cujo país não publicamos, tal como os nomes – não passará de um embuste para as actividades criminosas, segundo os ficheiros da Interpol.
Nos anos em que o executivo passou pelo Fundo Monetário Internacional, com sede em Washington, terá deixado contas por ajustar com a justiça americana. “Foi investigado por pedofilia em dois processos, mas no primeiro a vítima – de 13 anos – não conseguiu identificar os dois agressores [o francês terá contado com a colaboração de um canadiano]. No segundo caso, os pais de um menino de oito anos foram ‘bem indemnizados’ antes de ser lida a sentença”, segundo fontes policiais.
A primeira vítima deste pedófilo terá sido “a filha de um casal de funcionários da Organização dos Estados Americanos”, em Washington. No outro caso, o francês também saiu em liberdade – “por via do dinheiro conseguiu que fosse retirada a queixa”. Só não se livrou de ser expulso dos Estados Unidos, deixando imediatamente a mansão que ocupava no condado de Arlington.
Este pedófilo estará “bastante referenciado e há já muitos anos” pelas polícias internacionais – e a forma como teve acesso a um alto cargo na União Europeia “é no mínimo pouco clara”, depois da expulsão de Arlington, nos Estados Unidos.
Analisados os 148 computadores apreendidos, as próximas semanas serão “decisivas” para a investigação realizada em Portugal.
PERÍCIAS SÃO DECISIVAS
As próximas semanas serão decisivas para a Polícia Judiciária apurar a extensão da rede pedófila a actuar em Portugal. Com a análise aos computadores apreendidos, os inspectores chegam aos consumidores nacionais de pornografia infantil – mas podem também descobrir ligações a outros no estrangeiro, da mesma forma que a investigação ao pedófilo francês, alto funcionário da União Europeia, ajudou a avançar com a operação ‘Predador’.
EMPRESÁRIOS DE SUCESSO NO CRIME
Há médicos, gestores e “outros empresários de sucesso” entre os 80 suspeitos da Polícia Judiciária por pedofilia – “várias pessoas de elevado extracto social”, apurou o CM junto de fontes policiais. Os 300 inspectores da PJ avançaram na manhã de segunda-feira para 75 moradas em todo o País, incluindo Açores e Madeira, e os elementos de muitas brigadas ficaram “surpreendidos” com as “enormes casas e os sinais exteriores de riqueza” que foram encontrar em alguns locais. A investigação pertence à Secção Central de Investigação da Criminalidade de Alta Tecnologia, sedeada em Lisboa, mas a operação ‘Predador’ contou com a participação de todos os departamentos da PJ. Vários agentes desconheciam o processo e muitos ficaram surpreendidos na altura de proceder às buscas.
SAIBA MAIS
- 10 buscas domiciliárias em Coimbra durante a operação ‘Predador’. Foi a segunda cidade do País onde a PJ apanhou mais utilizadores de sites pedófilos. A primeira foi Lisboa.
- 8 locais identificados pela PJ no Grande Porto. Os computadores apreendidos já estão em Lisboa e são agora analisados nas instalações da Avenida Alexandre Herculano.
- 6 buscas feitas pela PJ na ilha da Madeira.
LIBERDADE
A distribuição de conteúdos com pornografia infantil não dá direito a prisão preventiva, que só se aplica a crimes com penas superiores a cinco anos – a pena máxima prevista para este crime.
NEGÓCIO
Se a PJ conseguir provar que a utilização dos filmes pedófilos tem fins lucrativos, os suspeitos já incorrem em penas que variam, no novo Código de Penal, entre um e os oito anos de cadeia.
LIGAÇÕES
A Judiciária nega que a operação de segunda-feira, que contou com o contributo de informações internacionais, esteja relacionada com o pedófilo cuja fotografia foi divulgada pela Interpol. fenómeno da pedofilia alastra nos arquipélagos e foram identificados dois locais nos Açores.
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