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Correio da Manhã

Portugal
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ALUNA PRAXADA E CONDENADA

"Estupefacção, primeiro; e depois indignação", foram os adjectivos usados por Ana Sofia Damião, aluna do Piaget Macedo de Cavaleiros, e seus pais, quando confrontada com as conclusões do inquérito realizado na escola, após queixa apresentada ao ministro do Ensino Superior, Pedro Lynce, a que o CM teve acesso.
29 de Janeiro de 2003 às 00:56
"Quando li as conclusões, achei aquilo tão sem nexo que, confesso, tive alguma dificuldade em compreender. Como era possível, depois daquilo que a minha filha passou, a escola aplicar-lhe uma sanção", disse Rodrigues Damião, pai da aluna.

Depois de analisar o relatório, Ana Sofia, escreveu, de novo, ao ministro, solicitando-lhe a transferência para outra escola que tenha o curso de fisioterapia.

Nas conclusões do inquérito – já enviadas ao Ministério do Ensino Superior – a direcção do Piaget, decidiu repreender por escrito Ana Sofia, "pela forma subjectiva excessiva como relatou os factos, que sabia não terem a gravidade que decorre da sua exposição, tal como ela reconheceu".

Igual sanção foi aplicada aos alunos identificados nas ditas praxes, "por não terem a preocupação de avaliar se as ordens de praxe poderiam ferir susceptibilidades individuais".

"A escola nunca me manifestou o apoio que precisava, nem me deu oportunidade de explicar devidamente os acontecimentos descritos numa ordem sequencial, (apenas me foi facultado pela Inspecção-Geral de Educação), tentando sempre persuadir-me a aceitar o sucedido como algo normal em termos académicos".

"Por tudo isto, estou na iminência de desistir, se não puder frequentar uma outra escola que me proporcione um ambiente mais acolhedor para que esta minha vontade de ter uma formação de fisioterapia não acabe por se perder...", diz, Ana Sofia.

OUTRO CASO

A direcção da escola mostrou-se sempre indisponível para ser confrontada com os documentos a que o CM teve acesso, remetendo sempre qualquer informação para "uma conferência de imprensa a realizar em breve".

Fonte estudantil diz, porém, que Ana Sofia "está integrada na escola, onde não é diferenciada dos restantes colegas, nem é uma aluna traumatizada como o comprovam as excelentes notas que tirou durante o primeiro trimestre".

A mesma fonte revelou que este ano lectivo ocorreu um outro processo de alegados abusos de praxe. “O aluno queixou-se à Comissão de Praxe, que levou o caso ao Tribunal da Escola, onde o praxante (aluno do 4.º ano de Enfermagem) foi castigado a ser praxado pelo tribunal".

RELATÓRIO DO INSTITUTO

Ponto 1 – Os factos descritos pela aluna (...) não revestem a gravidade que a mesma lhe atribuiu.

Ponto 3 - Apesar de estar devidamente informada (...), a aluna “... não se recusou a realizar qualquer praxe, não demonstrou perante os colegas o seu descontentamento, nem procurou a ajuda oferecida.”

Aplicar as seguintes sanções:- repreensão escrita, com registo, aos alunos identificados que comprovadamente estiveram envolvidos nas praxes descritas (...).

Repreensão escrita à aluna, pela forma subjectiva excessiva como relatou os factos (...).


CARTA AO MINISTRO

Eu, Ana Sofia Damião, (...) venho por este meio solicitar (...) transferência para outra escola.

(...) ser constantemente discriminada e ignorada pela comunidade escolar.

Após a reunião a directora, Dr.a Ângela Maria Meireles Moás Prior, disse que o Instituto não teria nenhuma responsabilidade pelas praxes e ‘convidou-me’ a abandonar o instituto.

Esta escola foi o único lugar onde senti uma grande humilhação, onde vivi os piores momentos da minha vida, sentindo um enorme receio sempre que lá regresso. Por isso estou sempre na iminência de desistir.
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