Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
9

AMEAÇA DE MARÉ NEGRA EM MARÇO

O Instituto de Oceanografia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa alerta para a possibilidade de, se não forem tapadas todas as fissuras do petroleiro Prestige, novas manchas de crude poderem dar à costa portuguesa em Março. Esta previsão tem por base a natural deslocação dos ventos que ocorre por essa altura do ano.
22 de Janeiro de 2003 às 18:21
Quem o diz é Isabel Ambar, oceanógrafa física do Instituto, uma vez que, "prevê-se que, especialmente em Março, os ventos dominem de quadrante norte, empurrando as águas para sul", o que pode fazer com que as bolsas de fuel-óleo se desloquem no sentido da costa portuguesa.

É de ressalvar que, segundo o mais recente balanço feito pelo instituto francês responsável pelo tratamento das fissuras do petroleiro, apenas seis dos visíveis 20 orifícios do Prestige estavam totalmente tapados. Este relatório foi divulgado a 10 de Janeiro.

A oceanógrafa lembra igualmente que os comportamentos atmosférico e oceânico não são "completamente previsíveis", para um ano como este, que está a ser de excepção em diversos aspectos. No entanto, segundo um padrão estabelecido, os ventos dominantes na transição do Inverno para o Verão são de quadrante norte, ao contrário do que se passa no Inverno, que são predominantemente de sul.

A respeito das nove fissuras na parte traseira do petroleiro, a Ifremer disse apenas que o submarino francês Nautile tratou de uma fuga logo no início da intervenção e que uma operação posterior, a 16 de Janeiro, decorreu com sucesso.

De acordo com a comissão científica espanhola - citada pelo Ifremer - continua a ser derramada uma tonelada de fuelóleo por dia. No início da intervenção do Nautile, eram 130 toneladas/dia.

A maré negra que atingiu a Galiza, em Espanha, foi provocada pelo naufrágio do petroleiro liberiano "Prestige", a 19 de Novembro. O navio transportava, ao todo, 77 mil toneladas de fuel.

MAIS DE 40 MIL EM PROTESTO

A Costa da Morte, na Galiza, foi hoje palco para um protesto levado acabo por cerca de 42 mil estudantes e 2500 professores, que formaram cadeia humana como acto simbólico para contestar a maré negra causada pelo petroleiro "Prestige".

A cadeia humana estendeu-se ao longo de 40 quilómetros, entre as localidades de Laxe e Muxia, na costa galega mais atingida pela maré negra.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)