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Correio da Manhã

Portugal
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Ameaçam deixar a investigação

Cerca de 200 investigadores da Divisão de Investigação Criminal da PSP do Porto assinaram um abaixo-assinado dirigido ao director nacional da corporação exigindo que este esclareça como funciona a investigação criminal na PSP para assim perceberem se têm condições para permanecer na investigação criminal ou se devem passar a polícias de giro.
15 de Dezembro de 2007 às 00:00
A motivação para a reacção ofendida dos investigadores foi a entrevista ao ‘Expresso’ do inspector-geral da Administração Interna, Clemente Lima, em que este acusava haver “muita incompetência” e “cowboyada” nos polícias. Em reacção ao abaixo-assinado, Clemente de Lima disse ao CM não ter sido sua intenção fazer generalizações.
“A investigação em Portugal tem grande qualidade. Não pretendi ferir a honra de ninguém e quero frisar que estava a falar de casos excepcionais e não da regra da prática policial”, salientou o inspector-geral.
Clemente de Lima queixou-se do ruído introduzido devido às declarações e que apenas quis alertar para algumas situações de “pessoal da investigação criminal que por andar sem farda incorre em situações de más práticas, como abuso de autoridade e violência sobre cidadãos.”
O ministro da Administração Interna reagiu à polémica e prometeu ontem que o Governo “tudo fará”, na regulamentação das leis orgânicas da PSP e da GNR, para valorizar os investigadores criminais. Afirmou ainda que falou com o inspector-geral que lhe frisou a “competência e dedicação” dos polícias.
“O Governo confia plenamente no trabalho das forças de segurança”, afirmou Rui Pereira, sublinhando o seu trabalho “dedicado, competente e, muitas vezes, heróico.”
Os investigadores consideram as acusações graves, as quais “ofendem os signatários muito para além da sua condição de profissionais da polícia, pois é a sua honra e dignidade que são questionadas.”
Os queixosos consideram ainda estar em causa os postos dos investigadores da PSP, bem como a sua formação, sendo também questionado o formato da investigação criminal.
Os signatários alertam ainda para uma compensação monetária “inexistente”, afirmando fonte da PSP ao CM que “um investigador da PSP ganha tanto como um polícia de giro.”
"SENTIRAM-SE INDIGNADOS"
“Percebo os meus colegas. Sentiram-se indignados com as declarações”, disse ao CM o presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia, Paulo Rodrigues, referindo, contudo, que Clemente Lima falou de um problema que é preciso resolver desde 1999.
“É preciso clarificar a competência da investigação e o respectivo estatuto salarial na PSP”, alertou, sublinhando que há agentes que fazem investigação à civil de dia e serviços fardados em hospitais à noite.
PORMENORES
FRASES DA POLÉMICA
“Há por aí muita impertinência, muita intolerância, muita impaciência por parte da polícia” e “É preciso ter cuidado com estes agentes que andam à paisana, muitas vezes armados em agentes da Polícia Judiciária, fazendo um trabalho descontrolado”, foram duas das frases de Clemente Lima que escandalizaram os investigadores.
PSP REAGE
A Direcção Nacional da PSP garantiu que os cerca de 200 agentes da DIC do Porto “não põem em causa o cumprimento da sua missão e funções.” Em comunicado é afirmado que os agentes da investigação continuarão a cumprir cabalmente o seu trabalho.
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