Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
1

AMEAÇOU EXPLODIR AVIÃO PARA ATRASAR NAMORADA

As contas que o emigrante português fez eram simples. Estava em Bruxelas, na Bélgica, a mais de mil quilómetros de Copenhaga, capital da Dinamarca, onde morava a companheira. Mesmo que fosse de avião, como ia fazer, nunca chegaria a tempo de impedir a mulher de voar, nesse mesmo dia, para o Egipto, onde aterraria nos braços de outro homem.
8 de Outubro de 2003 às 00:00
O português telefonou para a Polícia belga a ameaçar uma bomba num avião que estava na Dinamarca
O português telefonou para a Polícia belga a ameaçar uma bomba num avião que estava na Dinamarca FOTO: Tiago Sousa Dias
Então, antes de embarcar rumo a Copenhaga, o emigrante pegou no telemóvel, ligou para a Polícia belga e disse que havia uma bomba a bordo do voo para o Egipto. Foi preso à chegada e assim deverá continuar nos próximos 12 dias, antes de ser ouvido novamente por um juiz.
A detenção do cidadão português, que não foi identificado, ocorreu ao final da noite de segunda-feira, no aeroporto de Kastrup, na capital dinamarquesa, instantes depois de ter chegado num voo de Bruxelas. "O facto de ter utilizado o telemóvel para ligar à polícia belga ajudou o trabalho das autoridades", referiu ao Correio da Manhã fonte diplomática portuguesa. O número foi rapidamente identificado e o nome do proprietário comunicado à polícia dinamarquesa, que se limitou a esperar que o cidadão português aterrasse - o que aconteceu cerca das 22h00.
Ao mesmo tempo, o voo que deveria ter partido de Copenhaga para o Egipto duas horas antes continuava retido na pista - onde ficou até depois das duas horas da manhã de ontem. O motivo de todo o atraso estava entre os 134 passageiros a bordo: uma mulher dinamarquesa.
Segundo apurou o CM, enquanto ainda estava em Bruxelas, o cidadão português terá falado com a namorada - prestes a embarcar no voo de Copenhaga para o Egipto - que lhe garantiu que podiam conversar. Um segundo telefonema, contudo, feito à distância de mais de mil quilómetros, mudou tudo. "Ela disse-lhe que não podia esperar mais, que estava prestes a partir", explicou a mesma fonte.
Sem tempo de voar até Copenhaga, o emigrante português terá visto na ameaça de bomba a única hipótese de impedir a partida da companheira para o Cairo - para se juntar a outro homem. "Por isso ligou para as autoridades belgas." O detido, que tem cerca de 50 anos, trabalha em informática e morava desde 2001 em Bruxelas. "Já alertámos a Polícia para o facto de ele sofrer de epilepsia e estamos a acompanhar o desenrolar da situação", adiantou a mesma fonte. As autoridades dinamarquesas nomearam um advogado para defender o cidadão português, que deverá ser novamente ouvido por um juiz dentro de 12 dias, altura em que poderá ser formalmente acusado ou expulso do país.
ATACAR EM NOME DO AMOR
Será amor? Uma ameaça de bomba, um ataque à bomba ou uma garrafa de ácido despejada na cara da companheira foram algumas formas encontradas nos últimos anos, em Portugal ou por portugueses, para resolver zangas e desentendimentos. Em Maio, uma mulher usou uma bomba para destruir o carro de uma rapariga com quem tinha mantido um relacionamento amoroso. A jovem, residente em Braga, queixava-se de ser perseguida há já algum tempo pela ex-companheira, de 35 anos.
Apesar de ter destruído parte de uma garagem e de ter provocado danos no automóvel, as consequências da bomba parecem insignificantes quando comparadas com as de outros actos de amor. Em 28 de Junho de 2001, em Viseu, um jovem de 26 anos derramou ácido sulfúrico sobre a antiga namorada e foi acusado de homicídio qualificado na forma tentada. Em Maio do mesmo ano, em Leiria, uma rapariga de 21 anos matou o namorado, de 25, ao derramar-lhe ácido sulfúrico no corpo.
PRESOS LÁ FORA
MORTE EM BRISTOL
António Marques, o emigrante português que se encontra preso em Bristol, é acusado de ter assassinado dois compatriotas à facada, depois de uma discussão entre os três na madruga de 3 de janeiro. Está detido numa cadeia psiquiátrica desde janeiro deste ano e deveria ter comparecido anteontem em tribunal, o que não aconteceu.
ATAQUE EM LONDRES
José Pestana, um cozinheiro português emigrado em Inglaterra, corre o risco de ser condenado a prisão perpétua, depois de ter sido considerado culpado de planear um atentado à bomba no restaurante de onde tinha sido despedido, localizado no aeroporto de Gatwick, em Londres. a sentença do português vai ser lida nos próximos dias.
MASSACRE NO BRASIL
O nome de Luís Miguel Militão Guerreiro é sinónimo de massacre. Em agosto de 2001, o português mandou assassinar seis compatriotas, que depois foram enterrados no chão de uma barraca da praia do futuro, em fortaleza. Militão seria capturado dias depois do crime e cumpre uma pena de 150 anos de prisão.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)