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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Amigos protegem dono da carrinha

Arménio esteve preso em França pela morte de 12 emigrantes.

25 de julho de 2016 às 10:08

A aldeia de Palhais, Trancoso, está unida em torno de Arménio Pinto, para "proteger" o dono da carrinha que a 24 de março se despistou, em Moulins, França, e matou 12 emigrantes portugueses. O homem esteve em prisão preventiva em França pelos homicídios negligentes (a viatura só podia levar nove e não estava licenciada), foi libertado há dias e regressou a casa. Os amigos temem que os familiares das vítimas queiram "fazer justiça com as próprias mãos".

Segundo apurou o CM no local, familiares e amigos do empresário estão ainda preocupados com a sua débil condição psicológica. "A tragédia ainda está muito presente na vida dele e na dos pais", referiu um amigo de infância, que pediu anonimato. Aliás, na sexta-feira a mãe de Arménio garantiu ao CM que "ele e a irmã já não estavam em Portugal", declarações que foram desmentidas minutos depois quando Arménio apareceu à porta de casa e disse não ter "autorização para falar". Nesse mesmo dia, à tarde, Arménio entrou no carro de um amigo que o levou para um esconderijo. "Ele precisa de paz para refazer a vida. Todos temos medo que algum familiar das vítimas de França venha cá para fazer justiça com as próprias mãos", explicou outro amigo.

Arménio Pinto está em Portugal desde quarta-feira, depois de sair da cadeia francesa pagando caução. O mesmo procedimento foi adotado pelo sobrinho, Ricardo Pinheiro, de 19 anos, que conduzia a viatura que se despistou numa reta e matou os doze emigrantes.

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