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Correio da Manhã

Portugal
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AMORTECEDORES CONTRA SISMOS

Amortecedores a óleo, bases de borracha (entre os pilares e as fundações dos edifícios) e até sistemas de controlo activo com recurso a contramovimentos são algumas das mais modernas intervenções anti-sísmicas instaladas em todo o mundo.
4 de Janeiro de 2004 às 00:00
O primeiro destes sistemas, que tem em vista a absorção de energia libertada pelo sismo, já é usado em Portugal nalgumas pontes e viadutos, como é o caso da Vasco da Gama.
Segundo explicou ao CM o coordenador do núcleo de engenharia sísmica do Instituto Superior Técnico, Luís Manuel Guerreiro, o sistema consiste na colocação de barras em diagonal, intercaladas por amortecedores, no interior da estrutura da construção.
Por sua vez, as bases de borracha consistem em cilindros com 30 centímetros de altura e entre 70 centímetros a um metro de diâmetro, colocados entre as fundações e os pilares dos edifícios.
A principal contrariedade reside na necessidade de espaço uma vez que o edifício não pode, no seu movimento oscilante, estar em contacto com outros edifícios. Ao contrário do sistema de amortecedores a óleo (adequado para os chamados ‘arranha-céus’), este sistema já existente em países como Japão (cerca de 600 edifícios), Estados Unidos, Nova Zelândia, Itália e Rússia é mais próprio para prédios de média altura (máximo 30 andares).
Por último, no Japão foram já erguidos edifícios com um sistema de controlo activo, que liberta ondas de choque destinadas a contrariar as ondas sísmicas. Segundo Luís Manuel Guerreiro, estes edifícios ainda não foram sujeitos à prova real de um sismo autêntico.
AÇO E BETÃO ARMADO
Além destas inovações ainda não generalizadas, a construção com recurso a materiais sólidos, como betão armado e aço entrelaçado, continua a ser fundamental para uma construção resistente.
A filosofia subjacente é, de acordo com Luís Manuel Guerreiro, a de que “mais vale os edifícios sofrerem danos, ainda que irreparáveis, do que perderem equilíbrio”, segundo o princípio de que “mais vale torcer do que quebrar na totalidade”.
Deste modo, acrescenta, é conseguida “uma maior protecção das pessoas do que se os edifícios resistissem mais, mas depois cedessem na totalidade”.
Por exemplo, nas estruturas modernas este equilíbrio é conseguido com materiais mais flexíveis, como é o caso do aço quando comparado com o betão. A ideia é entrelaçar devidamente o aço com a restante estrutura, sob pena de este se revelar inútil como, nas palavras destes especialista, há uns anos aconteceu na Turquia. “A malha de aço não estava devidamente ligada e soltou-se”, comenta.
“Hoje em dia há materiais e conhecimento que permitem enfrentar os sismos”, defende Luís Manuel Guerreiro.
Admitindo que a madeira é um bom material e que “há países onde a técnica permite boas construções em madeira”, este especialista defende que “dada a tradição portuguesa, as estruturas em aço e betão armado ainda são as que oferecem uma maior confiança”.
DADOS
AÇORES
Um sismo de pequena intensidade foi sentido sexta-feira na Graciosa e S. Jorge, nos Açores. O sismo atingiu a intensidade III na escala de Mercalli modificada na Graciosa e intensidade II em S. Jorge. Não houve danos. O epicentro foi a cerca de 25 quilómetros a Oeste da ilha Graciosa. A Protecção Civil está a acompanhar o evoluir da situação.
LISBOA
Metade da zona edificada de Lisboa, onde habita cerca de um milhão de pessoas, não está preparada para resistir a sismos, diz o engenheiro Mário Lopes. Em causa está toda a parte da cidade construída antes de 1960, nomeadamente a zona das Avenidas Novas, já que só então começou a desenvolver-se a legislação anti-sísmica moderna.
ZONAS DE RISCO
O perigo de sismos é real em Portugal, principalmente na zona de Lisboa e Vale do Tejo, Algarve e Açores, regiões sob influência de duas falhas sísmicas, a mais forte das quais está localizada a Sudoeste do Cabo de S. Vicente. O último grande terramoto registou-se nos Açores, em 1980, quando um abalo de 7.0 na escala de Richter matou 71 pessoas.
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