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Correio da Manhã

Portugal

ANDAR PARA NÃO MURCHAR

Fazer um passeio a pé de três quilómetros por dia é suficiente para reduzir os riscos de impotência sexual, que afecta sobretudo homens que sofrem de obesidade. As caminhadas diárias podem mesmo ajudar a reverter a disfunção eréctil, de acordo com um estudo realizado por uma equipa de cientistas italianos.
29 de Junho de 2004 às 00:00
“Homens sedentários podem reduzir os riscos de disfunção eréctil ao adoptar actividade física regular a um nível de pelo menos 200 calorias por dia, o que corresponde a uma caminhada enérgica de três quilómetros”, revela o estudo, publicado no ‘Journal of the American Medical Association’.
Cerca de metade dos 110 homens incluídos neste estudo foi submetida a uma dieta alimentar em que a sua ingestão de calorias caiu de 2340 para 1950 calorias por dia, enquanto a outra metade não foi colocada sob qualquer regime alimentar específico. “A nossa investigação apurou que cerca de um terço dos homens obesos com disfunção eréctil recuperou a sua capacidade sexual após ter adoptado, durante dois anos, comportamentos mais saudáveis, exercícios regulares e redução de peso”, concluiu o estudo italiano.
Já no ano passado, cientistas da Universidade de Harvard tinham publicado uma pesquisa segundo a qual o exercício físico se revelava como uma medida poderosa de prevenção contra a disfunção eréctil. A observação de 31 mil homens com idades compreendidas entre os 55 e os 90 anos concluiu que aqueles que praticavam algum tipo de exercício ou actividade física no seu dia-a-dia tinham um atraso de dez anos a apresentar sintomas de disfunção eréctil, comparando com os outros homens que praticavam um estilo de vida mais sedentário. A disfunção eréctil ocorre normalmente com o envelhecimento, afectando cerca de 12 por cento dos homens antes dos 60 anos. Entre os 60 e os 69 anos, 20 por cento dos homens sofrem de impotência, assim como 30 por cento dos que têm idades na casa dos 70.
LEVANTAR O MORAL
Os resultados de qualquer um desses estudos parecem não surpreender os especialistas em Urologia e Andrologia, já que os homens obesos, como era sabido, são propensos a vir a sofrer de disfunção eréctil ao longo da sua vida. Muitas vezes, esse mal resulta de uma má circulação sanguínea (um bom fluxo é necessário para obter e manter uma erecção). Mesmo uma ligeira perda de peso, baseada numa alimentação cuidada e na inclusão do exercício físico nos hábitos diários, pode traduzir-se numa melhoria significativa do funcionamento cardiovascular e da circulação sanguínea. Os resultados levantam moral e, pelos vistos, outras coisas.
CUIDADO COM OS ANÚNCIOS NA INTERNET
A Internet, os jornais e revistas estão entupidos de anúncios a substâncias e remédios milagrosos que alegadamente curam impotência, proporcionam relações sexuais mais duradouras e satisfatórias e até aumentam o tamanho do pénis. Desenganem-se os mais ingénuos. A maior parte não só não funciona como pode ser nociva para a saúde. Como em tantas outras situações médicas, no caso da disfunção eréctil é extremamente importante que seja procurada ajuda médica. Um indivíduo nessa situação deve, acima de tudo, manter a calma e procurar o seu médico de família, que deverá mandar fazer os exames necessários e, se for caso disso, remeter o paciente para um especialista.
Mas muitas pessoas ainda sentem inibição em revelar a alguém, ainda que a um médico, que sofrem de uma insuficiência desse tipo. “A publicidade é muito enganosa e as pessoas têm tendência a tentar resolver os seus problemas pela via aparentemente mais fácil”, afirma José Luís Barreto, médico e membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Andrologia.
Essa atitude não só é perigosa como perfeitamente desnecessária, uma vez que há nas farmácias remédios bastante seguros e eficazes. “Não só o Viagra, mas também o Levitra e o Cialis são medicamentos muito bons”, considera Barreto. Mas só devem ser tomados sob prescrição médica, uma vez que têm contra-indicações específicas.
A melhor maneira de curar a impotência é, para o especialista, identificar primeiro as causas, já que pode haver várias, e atacá-las com o remédio indicado para cada uma delas. “Costumo dizer, para acalmar os meus pacientes, que se consegue melhorar a rigidez do pénis em cem por cento dos casos. E de facto é assim.”
JOSÉ LUÍS BARRETO, MÉDICO UROLOGISTA E ANDROLOGISTA: 'EXERCÍCIO É UM FACTOR ANTI-STRESSE'
Correio da Manhã – Como comenta este estudo?
José Luís Barreto – Já era sabido que toda a actividade física diminui a gordura, um dos factores que reduz a testosterona. Também sabemos que o exercício físico diminui o colesterol, contribuindo para uma melhor circulação e, consequentemente, para uma melhor irrigação da zona pélvica, melhorando a função sexual. Não surpreende o resultado do estudo.
– Mas a disfunção eréctil não afecta só os obesos.
– Não. Há outras patologias que também causam impotência, como as do foro endocrinológico, a diabetes, doenças circulatórias, as dependências tabágicas, alcoólicas. Mas não são só as doenças orgânicas que provocam disfunção eréctil. O próprio stresse do dia-a-dia, derivado do tipo de vida moderno, também contribui.
– Nesses casos, o exercício físico também pode ajudar?
– Sim, na medida em que é um factor anti-stresse. Mesmo em indivíduos não obesos, o exercício físico pode ajudar na vertente psicológica da disfunção eréctil.
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