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Correio da Manhã

Portugal
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ANDOU 50 ANOS COM DOIS PAIS

Um homem natural de Seia andou durante 50 anos com documentos falsos, sem saber, devido à troca de um dos apelidos do pai quando foi feito o Registo de Nascimento. Só há dois anos é que deu pelo engano e ainda não o conseguiu emendar em todos os documentos.
24 de Dezembro de 2002 às 00:00
Manuel Mendes Galvão, de 53 anos, é filho de Augusto Galvão de Jesus, mas no seu Registo de Nascimento, com o número 58, feito uma semana depois de nascer, em Janeiro de 1949, surge como “filho legítimo de Augusto Galvão Júnior”.

De acordo com o documento, a “declaração” do nascimento foi lavrada e assinada pelo Conservador do Registo Civil de Cabeça (Seia), Custódio da Cruz Ventura, mediante as declarações do “pai do registando” e tendo como testemunhas Maria José Mendes e Emília da Cruz.

Ninguém terá dado pelo engano e só em Janeiro de 2000 é que foi rectificado, “no sentido de que o nome do pai é Augusto Galvão de Jesus”, conforme consta nos “Averbamentos” do Registo de Nascimento.
O engano passou despercebido durante 50 anos e só há dois anos, na sequência das partilhas dos bens do sogro é que Manuel Galvão constatou que todos os seus documentos eram falsos.

“Eu fui à tropa, casei-me, registei os filhos e tudo se fez com documentos errados”, disse Manuel Galvão, lamentando que nunca o tenham informado do problema. Já conseguiu rectificar o Registo de Nascimento e o Bilhete de Identidade, mas os outros documentos continuam errados.

Manuel Galvão escreveu aos responsáveis da Nação a contar o seu problema, mas até agora não conseguiu obter ajuda, nem para lhe ser prestada assistência e apoio judicial.

“Escrevi ao Bastonário dos Advogados e ele respondeu-me para ir à Secção Regional de Coimbra da Ordem, mas ainda não conseguiu arranjar nenhum advogado para me ajudar a ‘desembrulhar’ isto e tenho receio de que alguém se possa aproveitar da situação”, contou. Manuel Galvão é casado, tem três filhos e reside em Pescanseco Fundeiro, concelho de Pampilhosa da Serra.
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