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Correio da Manhã

Portugal
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Anestesista no tribunal

O Ministério Público de Portimão ouviu ontem a médica Maria de Jesus Lima, a anestesista interveniente nas cirurgias realizadas no Hospital de Lagos que provocaram a morte de duas pessoas, há cerca de nove meses.
13 de Janeiro de 2005 às 00:00
A diligência vem na sequência do relatório final sobre os incidentes apresentado pela Inspecção-Geral de Saúde, o qual aponta para erro humano, culpabilizando a anestesista e ainda o director clínico do hospital, Pimenta de Castro, sendo confirmadas as conclusões do relatório preliminar emitido seis dias após os óbitos, resultantes de paragens cárdio-respiratórias.
Na altura, a anestesista foi suspensa por 90 dias pelo Ministério da Saúde, que decidiu também instaurar processos disciplinares à especialista e ao director clínico. Entretanto, Maria de Jesus Lima voltou ao trabalho e labora agora actualmente no Hospital do Barlavento, em Portimão.
Por sua vez, a Ordem dos Médicos concluiu em inquérito próprio pela ausência de indícios de erro médico e aguarda o desenvolvimento do processo que segue os seus trâmites nos tribunais. Se, nesse âmbito, vierem a ser atribuídas responsabilidades à anestesista, a Ordem avançará com medidas disciplinares, que podem ir até à suspensão de funções. Caso as diligências judiciais nada tragam de novo, o processo será arquivado.
A Ordem não avançou com um processo contra o director clínico por considerar que o mesmo apenas “falou do ponto de vista administrativo.”
A chamada da médica ao Ministério Público surge dias depois dos familiares dos falecidos terem mostrado a sua indignação pelo facto de o processo não conhecer avanços. Fernanda Sampaio, irmã de Albertina Estêvão, uma das vítimas, admitiu o recurso a um advogado para saber em que pé se encontrava o caso.
DISCUTIDO FUTURO DO BLOCO
Os novos responsáveis do Centro Hospitalar do Barlavento, que engloba os hospitais de Portimão e Lagos, deslocam-se hoje à última destas unidades, a fim de começarem a decidir qual o papel futuro do hospital lacobrigense, cujo bloco operatório se encontra encerrado desde a morte dos dois pacientes.
As autarquias e as populações da zona já manifestaram a vontade de ver o bloco reaberto.
MORTES NO BLOCO
VÍTIMAS
Albertina Estêvão, de 44 anos, auxiliar educativa em Albufeira, morreu a 29 de Março de 2004, quando se preparava para ser operada a uma fístula. Estava há dois anos à espera da operação. Rui Gonçalves, de 35 anos, dono de um bar em Albufeira, ia retirar um quisto do sacro e faleceu a 2 de Abrilde 2004. Ambas as intervenções eram consideradas simples.
ANESTÉSICO
O anestésico administrado às vítimas, o Propofol, chegou a estar sob suspeita. O Infarmed desde 19992, recebeu 11 notificações de suspeitas adversas à sua utilização que foram divulgadas junto dos médicos e incluídas no folheto que acompanha o medicamento. O relatório preliminar afastou a possibilidade da causa das mortes ser o anestésico.
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