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Correio da Manhã

Portugal
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Angola em alerta máximo

A epidemia de Marburg já matou 121 pessoas em Angola, onde há ainda cerca de 130 infectados pelo vírus. Mesmo com a subida do número de mortos na província do Uíge, as autoridades de saúde não contam isolar a região.
28 de Março de 2005 às 00:00
Os viajantes, no nosso país, que apresentem sintomas da doença como os descritos no folheto entregue no aeroporto de Lisboa e escrito pela Direcção-Geral de Saúde (ver caixa em cima) têm poucos hospitais aptos a recebê-los. Apenas o Hospital de São João, Porto, hospitais universitários e, em Lisboa, Egas Moniz, Curry Cabral e Pulido Valente têm unidades de isolamento.
CASOS LIGADOS A PORTUGAL
Só houve um caso, em Portugal, que inspirasse cuidados de maior, embora, mais tarde, tenha sido afastada uma ligação à febre hemorrágica. Um homem, de 32 anos, vindo do Uíge há duas semanas, foi internado para exames no Hospital de Curry Cabral, Lisboa.
Queixas sintomáticas levaram o homem a recorrer à Linha de Saúde Pública, que o encaminhou para os serviços de emergência médica. Foi transportado num veículo próprio do INEM, com tripulação equipada com escafandros, até ao hospital lisboeta.
Afastado da doença está também um português, de 68 anos, em Angola. O emigrante foi internado sábado, no Hospital Militar de Luanda, por apresentar sintomas idênticos aos da febre hemorrágica. Fonte hospitalar adiantou tratar-se de um caso de malária.
A Embaixada de Portugal na capital angolana disse ontem à tarde que “os exames feitos até ao momento não deram qualquer indicação de existir alguma relação com o vírus de Marburg”. O homem, residente no país há vários anos, “foi do Uíge para Luanda por uma questão de precaução, atendendo à sua idade e ao facto de ser diabético”, acrescentam.
AJUDA INTERNACIONAL
Além do material e equipamento médico que o Ministério da Saúde português fez chegar a Angola, as autoridades de saúde angolanas aguardam a chegada de um laboratório portátil, enviado pelo Canadá, para ajudar a evitar a propagação da doença mortal em cerca de 80 por cento dos casos. O aparelho permite diagnosticar rapidamente os casos de Marburg, para os quais não há cura nem vacina.
O técnico do Departamento de Epidemologia do Ministério da Saúde, Filomeno Fortes, disse à Rádio Nacional de Angola, que o governo aguarda a chegada de um grupo de 30 técnicos estrangeiros de saúde, a juntar aos demais a trabalhar no Uíge, incluindo os Médicos Sem Fronteiras.
Segundo noticia o ‘Semanário Angolense’, o Ministério da Saúde daquele país terá reagido tardiamente, mas já está em alerta máximo.
PORTUGUESES FORA DO UÍGE
A província do Uíge, no norte de Angola, não é muito povoada por portugueses nem por outros estrangeiros. Quando a epidemia foi identificada na região, um conjunto de seis leigos portugueses para o desenvolvimento e operários da construção civil dirigiram-se para outras regiões angolanas. Segundo fontes no país, apenas ficaram cerca de quatro religiosos ligados à Igreja. A Embaixada de Portugal em Angola adiantou à Lusa que não são conhecidos casos de cidadãos nacionais atingidos pelo vírus de Marburg, nem há notícia de casos fora do Uíge. Quando este país africano terminou a guerra, vários estrangeiros, principalmente europeus, chineses e brasileiros emigraram à procura de novas oportunidades de trabalho e de negócio.
INFORMAÇÃO DA DGS PARA QUEM CHEGA DE ANGOLA
“ – Desde Outubro de 2004 foram detectados casos de febre hemorrágica na província angolana do Uíge. Em 21 de Março de 2005 foi identificado o vírus Marburg como agente responsável por esta epidemia.
A febre hemorrágica de Marburg é uma doença rara e mortal, em 25 a 80 por cento das situações, tem um período médio de incubação de três a nove dias, podendo prolongar-se até 21 dias.
A febre hemorrágica de Marburg transmite-se através do contacto directo, sem protecção adequada, com:
- Pessoa doente;
- Órgãos ou produtos biológicos (sangue, urina, fezes, sémen, etc) de uma pessoa ou animal infectados por aquele vírus;
- Qualquer material ou objectos utilizados no tratamento dos doentes;
- Cadáveres durante a sua preparação e cerimónias fúnebres.
Os sintomas iniciais desta doença são: febre súbita, mal-estar, dores musculares e dores de cabeça, os quais são seguidos por dor de garganta, erupção cutânea, diarreia líquida, dores abdominais, náuseas, vómitos e dores de peito. Cinco a sete dias após o início destes sintomas, uma elevada proporção de doentes pode apresentar perdas de sangue através do nariz ou gengivas, pele, tubo digestivo (vómitos e diarreia com sangue), pulmões, rins e genitais.
Se esteve recentemente na província do Uíge deve vigiar o seu estado de saúde durante 21 dias após a estada. Se sentir, dentro desse período, os sintomas acima referidos, contacte a Linha Saúde Pública (808211311), relatando os sintomas e a viagem. – “
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