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Correio da Manhã

Portugal
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Angolanos conquistam Mundialinho da Integração

Angola conquistou ontem o primeiro lugar no Campeonato de Futebol Mundialinho da Integração, que reuniu 12 comunidades imigrantes em Portugal: Angola, Brasil, Cabo Verde, Espanha, Guiné-Bissau, Marrocos, Moçambique, Moldávia, Roménia, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Ucrânia.

3 de Agosto de 2009 às 00:30
Foram os angolanos que fizeram a festa no final do Primeiro Mundialinho da Integração, em Sintra
Foram os angolanos que fizeram a festa no final do Primeiro Mundialinho da Integração, em Sintra FOTO: Vítor Mota

Na final, os angolanos venceram Cabo Verde por 3-2, após grandes penalidades. Assistiram à final cerca de 1500 adeptos imigrantes, sempre em clima de festa e de convívio.

José Matias, angolano de 37 anos, foi apoiar a sua equipa com os amigos. Há nove anos a viver em Portugal, José considera este tipo de iniciativa "muito positiva" para "aproximar as comunidades". Contou ao CM que se adaptou facilmente ao País, mas que um dia pretende regressar às origens. "Quero regressar ao país onde nasci." Já Amélia Rosa, de 64 anos, também angolana e a residir há quase 34 anos em Portugal, não pretende regressar a África. No entanto, mantém o espírito de pátria pelo seu país. "Vim aqui gritar pela minha terra."

A assistir à final estava também um casal de moldavos. Vladimir Boldescu, de 35 anos, veio para Portugal há cerca de oito anos para procurar melhor qualidade de vida. A esposa, Natália, de 25 anos, deixou o país do leste europeu para estar próxima do marido. Confessa que a adaptação "foi difícil", mas hoje é em Portugal que vê o seu futuro.

O presidente da Câmara Municipal de Sintra, Fernando Seara, fez um balanço "muito positivo" do Mundialinho, cuja competição durou duas semanas. "Através do futebol conseguimos reunir as diferentes comunidades imigrantes que vivem em Portugal e que fazem parte de nós." Prometida está uma segunda edição. 

CABO VERDE SEMPRE EM FESTA

A claque da selecção de Cabo Verde foi uma das principais atracções fora do relvado. Enquanto os jogadores mostravam os dotes de futebolistas no rectângulo de jogo, cerca de meia centena de adeptos cabo-verdianos encheu as bancadas do Estádio 1º de Dezembro, em Sintra, com muita música, boa disposição e cor.

Durante toda a tarde ouviu-se tambores e cânticos de apoio aos jogadores que representaram as cores de Cabo Verde. Apesar da derrota na final do Mundialinho da Integração, perante a selecção angolana, os ânimos não refrearam.

Tatiana Filipe, de 30 anos, foi disso exemplo. Grávida de oito meses, a cabo-verdiana não parou de pular e dançar ao som da música dos conterrâneos. Também ela veio para Portugal procurar uma vida melhor. "Tenho um menino de 12 anos e neste momento da minha vida não penso voltar a Cabo Verde", confessou. 

PORMENORES

GUINÉ EM TERCEIRO

A Guiné-Bissau conquistou o terceiro lugar do campeonato realizado em Sintra, ao vencer a equipa do Brasil. Os jogadores também foram medalhados na cerimónia final.

REPETIÇÃO

O presidente da Câmara Municipal de Sintra, Fernando Seara, prometeu já para o próximo ano a segunda edição desta festa do Mundialinho da Integração.

PALOP

Sintra é um dos concelhos do País com maior número de imigrantes, nomeadamente oriundos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Muitos marcaram presença ontem.

DEPOIMENTOS

"VIM PARA PROCURAR UM FUTURO MELHOR" (Humberto Alves, Brasil)

"Vim para Portugal procurar um futuro melhor para a minha família. Tive uma boa recepção e integração em Portugal. Foi fácil adaptar-me e gostar do País. Pretendo ficar uma boa temporada em Portugal. Fui jogador de futebol até aos 18 anos no Brasil, depois fui trabalhar como motorista de pesados. Gostava de um dia poder regressar ao meu país."

"PORTUGAL É UM PAÍS QUE NOS RECEBE BEM" (Vasile Cranaci, Moldávia)

"Cheguei a Portugal há oito anos. Durante um ano vivi sozinho e só depois consegui que a minha mulher e o meu filho viessem morar comigo. Resolvi vir para a Europa para arriscar a sorte e optei por ficar em Portugal pois é um país que nos recebe muito bem. Muito melhor do que em outros países da Europa. Gostei muito de participar neste campeonato."

"JÁ NÃO PRETENDO REGRESSAR A ESPANHA" (Iñigo Hurtado, Espanha)

"Cheguei a Portugal com 17 anos e já passaram 22. Agora já não pretendo regressar a Espanha. Moro em Oeiras com a minha esposa e o meu filho, de 8 anos. Trabalho como comercial, mas tirei o curso de Ciências da Comunicação na Universidade Autónoma. Adorei participar na prova, porque conheci pessoas diferentes." 

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