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Correio da Manhã

Portugal
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ANIVERSÁRIO DO GOVERNO MILITAR DE LISBOA

O que vai ser do Exército quando, em 2004, acabar o serviço militar obrigatório? Esta preocupação dominou, ontem, as comemorações do Dia do Comando e quartel-general do Governo Militar de Lisboa, presididas pelo chefe de Estado-Maior do Exército, general Silva Viegas.
5 de Julho de 2002 às 22:54
Tornar este ramo atractivo a voluntários e contratados parece passar por vínculos de maior duração, ou permanentes, e melhor remuneração. Só assim poderá competir com o restante mercado de trabalho.

Segundo afirmou na ocasião o general Silva Viegas, o fim do serviço militar obrigatório “não deve ser visto como uma mera questão técnica”, mas como uma reforma que “afectará o tecido humano nacional”.

No âmbito da revisão legislativa em curso, haverá que ter em conta “o equilíbrio entre as necessidades de projecção e o balanceamento geográfico do dispositivo territorial”, defendeu ainda aquele chefe militar.

MUITAS DESISTÊNCIAS

O fim da obrigatoriedade do serviço militar norteou também a intervenção do comandante do Governo Militar de Lisboa, tenente-general Sousa Pinto, que resumiu: “Vamos deixar de agir sobre uma população obrigada a vir ter connosco para passarmos a dispor apenas daqueles que desejarem vir ter connosco.”

O que fazer então “para que haja quem queira vir ter connosco?”, perguntou a quem de direito o tenente- -general, prosseguindo: “Será a nós, militares, ou exclusivamente a nós, que compete fazer esse algo?”

Falando sobre o Governo Militar de Lisboa, a celebrar 357 anos de vida, o mesmo responsável mostrou preocupação em face do “grande número de desistências entre os voluntários e contratados que já cá estão, sem contrapartida em novas candidaturas”, para tornar bem claro que “se não resolvermos esta questão não teremos Exército”. Conseguir “o desejado aumento de quantidade sem quebra de qualidade”, passa, segundo defendeu, por tornar o ingresso nos regimes de voluntariado e contrato numa alternativa de emprego competitiva com o restante mercado de trabalho”, afirmou, sugerindo vínculos mais longos.
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