Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
3

APANHARAM-ME MESMO DE SURPRESA

O relógio marca as três da manhã de sábado. A comunicação recebida via rádio é reveladora da gravidade da situação. Na estação da CP das Mercês, Sintra, um agente da PSP, vestido à civil, acabou de ser assaltado e agredido com violência. Menos de cinco minutos depois, militares do Pelotão de Intervenção Rápida (PIR) da GNR de Sintra chegam ao local conseguindo, em paralelo, assistir a vítima e deter um dos autores do crime.
8 de Fevereiro de 2004 às 00:00
Luís Maria ainda teve forças para reconstituir o crime
Luís Maria ainda teve forças para reconstituir o crime FOTO: Jorge Godinho
O CM viu tudo, e relata-lhe agora um episódio da vida real que, para a Guarda, "constitui mais uma prova de que esta recém-criada unidade pode ajudar a controlar a criminalidade".
E para o alferes Pedro Nogueira, comandante do PIR do Grupo Territorial de Sintra, a fórmula para conseguir este objectivo é simples. "Em missões de patrulhamento, ter uma viatura descaracterizada ajuda muito. Conseguimos abordar as situações, sem que os meliantes entendam", esclareceu o oficial, poucos instantes antes da chegada à estação das Mercês.
O cenário encontrado obriga a que medidas urgentes sejam tomadas. Os ferimentos na vítima do assalto, que escorre sangue da cara, são de alguma gravidade. Agente na esquadra da PSP da Damaia, Luís Maria foi surpreendido à saída da estação das Mercês, trajando à civil, após um dia de trabalho.
DETENÇÃO RÁPIDA
"Apanharam-me mesmo de surpresa. Estava a pegar no telemóvel para fazer uma chamada quando senti que um indivíduo me prendia os braços. Outro apareceu-me logo pela frente e começou a agredir-me. Tiraram-me o telemóvel e arrancaram- -me os óculos", explicou.
Enquanto as declarações são prestadas a uma equipa de militares da GNR, efectivos do PIR 'batem' toda a zona envolvente à estação das Mercês, em busca de resultados. "Chegámos aqui praticamente em cima do momento da infracção. Alguma coisa há-de se conseguir", opinou o alferes Nogueira.
Enquanto não surgem novidades, Luís Maria é levado até à sala de segurança da estação. Há suspeitas de que o crime tenha sido gravado, o que se veio a confirmar. "São esses dois mesmo" aponta a vítima, à medida que assiste à gravação dos dois gatunos, apanhados a caminharem em direcção a si.
Os instantes de alguma tensão entretanto vividos chegam ao fim com a notícia de que, ainda perto da estação, um suspeito do crime havia sido detido.
Mais tranquilo com o sucedido, Luís Maria não consegue, no entanto, esconder o abalo que sofreu com as agressões sofridas, acabando por ser transportado ao Hospital Amadora-Sintra, onde recebeu tratamento médico.
SINTRA DEU 'PONTAPÉ DE SAÍDA' A PELOTÃO QUE QUER SER NACIONAL
"O Grupo Territorial de Sintra foi escolhido devido à elevada densidade populacional que vigia, e às particularidades que apresenta no que respeita à criminalidade. Mas, em breve, todo o dispositivo territorial da GNR vai contar com Pelotões de Intervenção Rápida (PIR)". Quem o garante é o alferes Pedro Nogueira.
Adjunto do comandante do Destacamento de Sintra, o oficial de Infantaria, de apenas 23 anos, foi escolhido para lançar e comandar o PIR do Grupo de Sintra e tem ideias definidas sobre as atribuições desta nova unidade.
"A criação do Pelotão teve como base o Europeu de futebol deste ano e a necessidade que surgiu no seio da Brigada 2 da GNR de criar uma força de manutenção de ordem pública e de intervenção policial", referiu. Janeiro marcou o arranque das missões no terreno, com os militares a aderirem "em regime de voluntariado".
"O PIR de Sintra conta com 30 homens, vindos dos vários postos do Grupo. Quando é necessário, abdicam da sua vida privada. Estou certo que quando existirem PIR em todo o dispositivo da GNR irá acontecer o mesmo", concluiu o alferes Nogueira.
MISSÃO PREPARADA
‘BRIEFING’
A noite de anteontem começou no posto de Mem Martins. O alferes Pedro Nogueira, comandante do Pelotão de Intervenção Rápida do Grupo de Sintra, esclareceu os militares destacados para uma missão de fiscalização de trânsito na zona.
DISSUADIR
A presença de militares do PIR, armados de ‘shot-guns’, em cada uma das equipas de fiscalização tem, segundo o comandante desta unidade, um objectivo claro. “Queremos com isto dissuadir eventuais infractores”, referiu o alferes Nogueira.
‘BALÃO’
As indicações dadas aos grupos fiscalizadores foram claras. Para além do controlo de alcoolemia nos condutores, os militares foram alertados para estarem atentos a viaturas ilegais.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)