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Correio da Manhã

Portugal

Aparente normalidade

O primeiro-ministro José Sócrates aproveitou o primeiro dia do ano lectivo para inaugurar uma escola do 1.º ciclo que já funciona há um ano. Tomada como “um exemplo” para o País – com a abertura da EB1 com Jardim de Infância de Paredes de Coura, fecharam as 23 escolas que existiam dispersas pelas 21 freguesias do concelho – a escola frequentada por 370 alunos tem um horário de funcionamento alargado até às 18h30.
13 de Setembro de 2005 às 00:00
O primeiro-ministro José Sócrates inaugurou uma escola do 1.º ciclo que já está a funcionar há um ano
O primeiro-ministro José Sócrates inaugurou uma escola do 1.º ciclo que já está a funcionar há um ano FOTO: João Abreu Miranda/lusa
Mas nem todas as escolas se podem gabar de ter condições físicas e humanas para cumprir com a medida do Ministério da Educação (ME) de proporcionar actividades extra-curriculares aos alunos do 1.º ciclo. Só na região de Lisboa, 794 das 1322 escolas que podiam cumprir o horário alargado manifestaram-se indisponíveis para avançar com a medida. Ou seja, enquanto no resto do País a percentagem de escolas que vai abrir até às 17h30 ronda os 90 por cento, na área da Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) o valor desce para 39,9 por cento (528 escolas). De acordo com o ministério, a DREL e a Inspecção Geral da Educação “foram instruídas para fazer o levantamento das razões” invocadas pelas escolas.
Alguns agrupamentos de Lisboa contactados pelo CM preferiram não se pronunciar, remetendo explicações para o ministério. Mas sempre foram adiantando que “não há condições” para alargar o período de aulas. “Não há boicote nenhum, é mesmo falta de espaços”, confirmou um responsável dos sindicatos de professores.
Apesar da “tranquilidade” com que Sócrates assinalou o primeiro dia de aulas – abriram 17,4 por cento das 11 553 escolas do pré-escolar, ensino básico e secundário – surgiram dúvidas relativas à concretização de algumas das medidas a implementar neste ano lectivo.
O dirigente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, António José Ganhão, mostrou-se expectante em relação ao transporte escolar no 1.º ciclo. “Não temos dados que nos permitam saber se todos os pais, nas escolas que funcionam em regime normal, pretendem que os filhos frequentem aulas até às 17h30. Se assim for é possível que o horário possa ser transferido, mas basta um ou dois dizerem não para que se mantenha o horário das 15h30”, afirmou.
Em Viana do Castelo, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues assinalou a importância da reorganização da rede escolar. “Metade das nossas escolas do primeiro ciclo ainda são do tempo do Salazar”, criticou.
PROFESSORES CONTRA "ARMAZÉNS DE CRIANÇAS
“O ano que vem aí pode ser negativo e quem paga sempre são os alunos”. O aviso partiu do secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) que apelou à mobilização de todos os docentes contra a política “economicista e populista” do Governo, que está a gerar “grandes tensões nas escolas”. “A intranquilidade humana que se vive nas escolas assume contornos como há muito não se via”, sublinhou Paulo Sucena, questionando a ideia de normalidade veiculada pelo ministério. Em causa está sobretudo a reorganização da componente não lectiva dos professores, que os obriga a passar mais horas nas escolas. De acordo com a Fenprof, há conselhos executivos que incluem nos horários dos docentes mais 12 ou 14 horas do que a sua componente lectiva, “sem ter em conta o tempo de serviço ou o número de turmas atribuídas”. Para o sindicalista a marcação de horas não lectivas “à balda e sem objectivos claramente definidos” transforma as escolas “em armazéns de jovens e crianças e os professores em guardas desses armazéns. É um abastardamento do perfil profissional dos professores e o desvirtuar do que deve ser uma escola”, frisou Paulo Sucena. Também a Federação Nacional do Ensino e Investigação criticou a falta de condições dos professores, nomeadamente no 1.º ciclo. “São 25 mil as salas de aula e apenas 1107 as salas específicas nas quais se podem reunir ou efectuar as tarefas diárias”, alertou.
A PRIMEIRA SEMANA DO NOVO ANO LECTIVO
PROBLEMAS
Os pais dos alunos da EB1 Paranhos da Beira (Seia) não deixaram abrir a escola. Com menos uma professora, teve de se dividir os 11 alunos do 1.º ano pelas turmas do 2.º e 4.º anos. A situação deverá ser resolvida em breve.
ALENTEJO
O município de Santiago do Cacém vai entregar a candidatura para aderir ao programa de generalização do Inglês no 1.º ciclo. A autarquia já reuniu com as 32 escolas. S. Cacém é um dos 14 concelhos sem alunos abrangidos.
ALGARVE
A ministra da Educação dedica o dia de hoje à Avaliação e Acompanhamento das Reformas Curriculares do Básico e Secundário. Visita a EB1 de Cacela Velha (Vila Real de Santo António) e a secundária Gil Eanes (Lagos).
UMA SEMANA PARA INICIAR O ANO LECTIVO
2013 - Escolas que abriram as portas no 1.º dia do ano lectivo.
1134 - Escolas da região Norte que receberam ontem alunos.
162 - Escolas de Lisboa e Vale do Tejo que receberam alunos.
68 - Escolas algarvias que já iniciaram actividades.
244 - Escolas que devem abrir durante o dia de hoje.
41,1 - Por cento das escolas iniciará o ano lectivo no dia 16.
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