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Correio da Manhã

Portugal
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Apelo à contenção no Algarve

Contenção “nos gastos de água, nomeadamente nos sectores das regas, banhos e nas lavagens de loiça” foi o apelo lançado pelo administrador das Águas do Algarve, Artur Ribeiro, perante a pior seca registada desde 1990. O ministro do Ambiente, Luís Nobre Guedes, desdramatiza, no entanto, a falta de chuva, considerando que “não se justificam quaisquer medidas excepcionais”.
7 de Janeiro de 2005 às 00:00
As diferenças do nível de água já são bem visíveis na maioria das barragens portugesas
As diferenças do nível de água já são bem visíveis na maioria das barragens portugesas FOTO: Vítor Mota
Na empresa de gestão da água para consumo no Algarve foi, entretanto, decidido que a partir de terça- -feira a população apenas será abastecida com água da barragem de Odeleite e de nove furos. O objectivo é poupar duas das três barragens de abastecimento público para o Verão. A empresa decidiu poupar a água das barragens da Bravura e do Funcho – localizadas no Barlavento algarvio – para abastecer a população fixa e flutuante durante o pico do Verão.
Para fazer face à seca, a empresa irá ainda adoptar um novo plano de contingência para o próximo Verão. Passa pela execução até Junho próximo de cerca de dez novos furos no concelho de Silves, para servir as populações. Para a concretização dos furos é hoje pedida autorização junto do Ministério do Ambiente.
GOVERNO TRANQUILO
Ontem, Nobre Guedes declarou que “a análise que o Governo faz é que não há justificação para tomar quaisquer medidas excepcionais relativamente ao que se está a passar”. E acrescentou que é esperada uma alteração da situação climática nos próximos meses.
Na previsão do tempo para este mês, o Instituto de Meteorologia divulgou também ontem que, “face aos cenários apresentados, pode concluir-se que existe uma probabilidade elevada de que no final de Janeiro a situação de seca se mantenha”.
Portugal está a atingir um dos piores índices de pluviosidade desde o início dos anos 90. Há mais de nove meses que não chove em quantidade suficiente e os níveis de água nas barragens portuguesas estão ainda abaixo do nível médio, com especial gravidade para as duas barragens do rio Arade, no Algarve.
Nos últimos seis anos, só em 2001 a quantidade de chuva caída entre 1 de Setembro e 31 de Dezembro foi inferior à caída nos últimos quatro meses de 2004 e isto apenas para as regiões Norte e Centro, porque no Sul o ano passado foi mesmo o pior.
“Não choveu nos meses que deviam ser mais chuvosos e embora os níveis não estejam críticos, as pessoas devem pensar sobre o consumo de água que hoje está a ser feito”, disse uma fonte próxima da investigação meteorológica. A adopção do Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água é uma das propostas da organização ambientalista Quercus, para fazer face à seca. Francisco Ferreira afirmou que a associação exige que este seja posto em prática, urgentemente. “Redução de pressões no sistema público de abastecimento, proibição de utilização de água, do sistema público de abastecimento, nos campos desportivos, campos de golfe e jardins” são algumas das medidas apontadas por este programa.“Adequação na utilização de autoclismos, chuveiros e torneiras” são outras das medidas apontadas neste programada aprovado quando José Sócrates era ministro do Ambiente.
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