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Correio da Manhã

Portugal
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APITÃO E VAIA EM LISBOA

Os estudantes do Ensino Superior preparam-se para fazer amanhã um ‘apitão’ em frente à Assembleia da República. O Governo vai também ser alvo de uma “monumental vaia, como a que aconteceu a Durão Barroso no Estádio da Luz”, garantiu ao Correio da Manhã Miguel Teixeira, da Associação Académica de Lisboa. As semelhanças com o futebol não acabam por aí e serão também mostrados milhares de “cartões vermelhos” à política seguida pelo Executivo.
4 de Novembro de 2003 às 00:00
Os líderes estudantis das principais associações académicas do País multiplicavam-se ontem em contactos preparando a manifestação nacional marcada para amanhã, em protesto contra as propinas, o regime de prescrições e a redução do peso dos estudantes nos órgãos académicos.
Entre as combinações do número e local de partida dos autocarros para Lisboa, que ocupava os dirigentes de Coimbra e do Porto, e a preparação dos apitos e os cartões vermelhos, em Lisboa, os representates máximos dos estudantes manifestavam-se convictos na mobilização dos jovens. E nem o anúncio da ministra da Ciência e do Ensino Superior, de que vai mexer no regulamento de atribuição de bolsas, desmobiliza os estudantes, que desvalorizaram esta intenção do Executivo.
“ALHOS E BUGALHOS”
“A ministra está a responder a alhos com bugalhos”, afirmou ao CM Nuno Mendes, da Federação Académica do Porto, a propósito do anúncio de Maria da Graça Carvalho. A ministra anunciou ontem, em sede de Comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, que pretende subir o valor do rendimento mensal familiar, o que permite um aumento do número de alunos que preenchem as condições para aceder às bolsas de estudo. A alteração da capitação, até agora o salário mínimo nacional, vai levar ao aumento do número de bolseiros. Para Nuno Mendes, o facto de achar “que é legítimo responder às propinas com bolsas, só demonstra o autismo da senhora”.
Vítor Hugo Salgado, da Associação Académica de Coimbra, desvalorizou igualmente este anúncio, sublinhando ao CM que “não é uma mais-valia significativa”, enquanto Miguel Teixeira, da Associação de Lisboa, considerava que se trata de uma medida “para separar os estudantes”. Considerando que o “anúncio em nada altera as suas exigências no que diz respeito às propinas, representação nos órgãos académicos e regime de prescrições”, os estudantes continuavam, assim, mais preocupados com a manifestação, que acreditam que será histórica. Vítor Hugo Salgado, da Associação Académica de Coimbra, vê mesmo a manifestação como “um pontapé de saída para outras formas de luta”.
Os estudantes do Porto e de Coimbra partem para a capital, cerca das 10h30, em autocarros, reunindo-se ao princípio da tarde na Cidade Universitária. A partida para a Assembleia da República está marcada para as 14h00. Entretanto, e antecipando a jornada de contestação de amanhã, a Associação Académica do Instituto Superior Técnico entrega hoje aos seis grupos parlamentares bonecos representativos de uma família portuguesa e dos seus gastos mensais com a educação, em protesto simbólico contra as propinas.
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