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Correio da Manhã

Portugal
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‘Apitão’ no Bairro Alto

"Queres um? É só para usar às duas da manhã", diz um homem enquanto tira algo do bolso, de forma escondida, para dar a quem encontra na rua. Vai distribuindo e quando os bolsos ficam vazios recorre à mochila. Não se trata de nenhuma substância ilícita mas de apitos que foram ontem de madrugada utilizados no Bairro Alto, em Lisboa, para protestar contra os novos horários dos bares.

9 de Novembro de 2008 às 00:30
Polícia tentou acalmar os ânimos, mas com poucos resultados
Polícia tentou acalmar os ânimos, mas com poucos resultados FOTO: Tiago Sousa Dias

Centenas de clientes do Bairro Alto esperaram até às duas da madrugada, hora em que, por determinação da Câmara de Lisboa, os bares são obrigados a fechar, para um ‘apitão’, como lhe chamaram os organizadores do protesto.

Durante uma hora o barulho foi ensurdecedor. Os poucos que não conseguiram apitos, assobiavam e saltavam, enquanto gritavam "salvem o Bairro Alto". Não gostaram da acção de protesto os moradores, cujas repetidas queixas por causa do barulho levaram a Câmara de Lisboa a reduzir o horário dos bares no Bairro Alto das quatro para as duas da madrugada. "Patifes, acordaram-me as crianças", gritou uma moradora, indignada com o barulho.

O protesto levou à intervenção da Polícia Municipal e da PSP, que chegaram em 12 viaturas e de imediato percorreram o Bairro Alto. Foram identificados alguns clientes por estarem a apitar.

"NÃO PODEMOS DAR A CARA"

O protesto contou com o apoio dos comerciantes e clientes do Bairro Alto. O dono de um bar garantiu ao CM que o ‘apitão’ é a única forma de luta que têm contra a decisão da autarquia, dado que, garante, "nós comerciantes não podemos dar a cara, se não no dia a seguir temos cá inspecções para nos fecharem a porta".

O cenário de encerramento não parece, de qualquer modo, tão longínquo, dado os efeitos da nova regra. "Estamos com horários reduzidos há uma semana e já se nota quebras de 50% no negócio", explica. Se a situação se prolongar, os comerciantes garantem que terão de despedir empregados e alguns bares terão inclusive que fechar.

 

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