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Apoiar quem perdeu filhos em aborto

Perder um filho devido a um aborto espontâneo é uma dor que dificilmente é ultrapassável. Mas quando se está numa maternidade, ao lado de mulheres que acabaram de ser mães, a dor “é enorme”. Manuela Pontes perdeu dois filhos e hoje, apesar de ter uma menina com dois anos e meio, ainda não esquece o que se passou.

11 de abril de 2005 às 00:00

“São muitas as dores físicas e psicológicas e vários os sentimentos que rodam em torno da revolta e a inveja das outras mulheres que conseguem ter filhos”, explica a presidente do Projecto Artémis.

O projecto, que conta com 78 associadas, destina-se a ajudar as mulheres que perderam os filhos antes do nascimento. Manuela Pontes lamenta a falta de apoio a estas mulheres e a forma como são tratadas. “Somos despejadas numa maternidade para expulsar o feto e ficamos ao lado de mulheres que aparecem com os filhos nos braços e isso dói muito”, afirma. A situação também é constrangedora para as mães que “não sabem o que dizer, pois estão com um bebé nos braços e são confrontadas com uma mãe que perdeu um filho”.

Segundo a presidente do Projecto Artémis, não existe apoio psicológico para aquelas mulheres que perderam um filho. “Saímos [da maternidade] vazias e esse é o sentimento que nos vai acompanhar durante muito tempo”, frisou.

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