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Correio da Manhã

Portugal

Ar respirado em casa é mais tóxico que o da rua

Respirar dentro de casa, nas escolas, hospitais ou locais de trabalho é o mesmo que inalar um ‘cocktail’ de substâncias tóxicas, responsável por problemas graves. Uma situação que adquiriu o estatuto de problema de saúde pública, mas que nem por isso tem sido alvo de atenção pelas autoridades.
31 de Maio de 2005 às 00:00
Todos são unânimes em afirmar que a poluição interior tem sido relegada para segundo plano
Todos são unânimes em afirmar que a poluição interior tem sido relegada para segundo plano FOTO: DR
Em Portugal, a preocupação sobre a qualidade do ar interior é, de acordo com Pereira Miguel, director-geral e Alto Comissário da Saúde, “pobre”, sendo o tabaco a grande prioridade nacional nesta matéria.
“O principal é o fumo do tabaco. Mas temos ainda o problema da legionela, as substâncias alérgicas e não sei se sabemos o que se passa com os pesticidas no interior das habitações. É, por isso, importante fazer o diagnóstico da situação nacional e uma avaliação do risco”, referiu ontem, durante mais um debate inserido no ciclo ‘Saúde sem Fronteiras’ sobre qualidade do ambiente interior, que juntou, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, diferentes especialistas.
UMA QUESTÃO DE PRIORIDADES
“Onde podemos estar seguros?”, questionou John Spengler, professor da Harvard University School of Public Health. Não há, por enquanto respostas, mas apenas uma certeza. “Pensamos que as nossas casas são seguras, mas há coisas invisíveis que a ciência nos está agora a mostrar, que provam que as concentrações de muitas substâncias são superiores dentro dos edifícios”, refere.
Apesar do ar interior estar repleto de pesticidas, detergentes, metais, gases ou bolores, a que se juntam os complexos químicos dos materiais de construção dos edifícios, os recursos continuam a ser usados para o estudo da poluição exterior. É por isso que o cientista Alexandre Quintanilha defende uma alteração das prioridades. “Se calhar, os 90 por cento dos gastos feitos com o estudo do ar exterior devem ser repensados e investidos no interior.”
EDIFÍCIOS E PESSOAS MAIS SAUDÁVEIS
EDIFÍCIOS
Dentro de dias serão aprovados regulamentos nacionais para a certificação de edifícios, que dão atenção ao ambiente interior. Quem o diz é Eduardo Fernandes, presidente do congresso sobre edifícios saudáveis, que decorre em 2006.
MATERIAIS
À semelhança do que acontece em alguns países, onde existem já sistemas de declaração de materiais limpos e amigos do ambiente e da saúde, a Europa encontra-se a preparar um sistema de etiquetagem para os materiais de construção.
RASTREIOS
Hoje, Dia Mundial sem Tabaco, o Hospital Amadora-Sintra realiza testes de medição da capacidade respiratória a todos os que queiram saber os seus valores. Também no Porto se realizam rastreios, na zona histórica da cidade.
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