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Correio da Manhã

Portugal
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Arguido confirma esquema de burla

O ex-empregado do principal arguido do julgamento em que 41 indivíduos estão a ser julgados por burlas às seguradoras confessou, ontem, ter participado em dezenas de acidentes combinados e implicou directamente o antigo patrão como sendo o líder do grupo. A primeira sessão do julgamento, que decorreu no pavilhão desportivo de Espinho, ficou ainda marcada pela ausência do cérebro do esquema.

3 de Novembro de 2010 às 00:30
Arguidos e advogados à saída do pavilhão desportivo de Espinho, onde decorre o julgamento
Arguidos e advogados à saída do pavilhão desportivo de Espinho, onde decorre o julgamento FOTO: Alexandre Panda

Daniel Pereira disse ao colectivo de juízes que, entre 2001 e 2007, simulou pelo menos 35 acidentes a pedido do patrão, dono de uma oficina de reparação de automóveis, que não compareceu no julgamento, alegando doença. "Tudo aquilo de que sou acusado é verdade. Era António José Correia que combinava tudo. Eu executava o que ele me pedia. Marcávamos ou provocávamos acidentes de propósito para receber o dinheiro do seguro", admitiu Daniel Pereira, que foi o primeiro e único arguido a ser ouvido pelo colectivo de juízes.

Daniel Pereira explicou que foi aliciado pelo então patrão, acusado de perto de 100 crimes de burla aos seguros. "Tinha 21 anos. Não tinha nada e ele ofereceu-me um BMW para entrar no esquema. A oficina era quase só sustentada com os acidentes combinados", disse.

No banco dos réus também está Carlos Bastos, dono de outra oficina, sediada em Santa Maria da Feira, acusado de 18 burlas aos seguros e tido como o terceiro principal arguido do caso.

Os outros 39, todos condutores dos carros envolvidos, são acusados de entre um e quatro crimes de burla. A maioria não está ligada ao ramo automóvel.

FIOS DE PESCA PARA SIMULAR VIDROS PARTIDOS

Os arguidos burlavam as seguradoras com três esquemas, que foram utilizados dezenas de vezes: combinavam acidentes entre condutores, que preenchiam participações amigáveis, ou provocavam acidentes envolvendo terceiros para depois aumentar os estragos provocados nos carros e reparar os veículos nas oficinas dos arguidos ou ainda aplicavam fios de pesca nos vidros dos automóveis para tirar fotografias que enviavam às seguradoras, dando a ilusão de que o vidro estava partido.

As seguradoras Axa, Zurich, Fidelidade e Lusitânia constituíram-se assistentes no processo.

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