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Correio da Manhã

Portugal
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Armas inúteis na GNR

O comandante-geral da GNR, tenente-general Mourato Nunes, autorizou a compra de 12 lança-granadas para montar à proa das lanchas rápidas da Brigada Fiscal (BF) utilizadas na vigilância da costa – mas só quando as armas chegaram foi verificado que, afinal, não serviam o fim para que foram adquiridas.
22 de Outubro de 2006 às 00:00
As lanchas de vigilância e intercepção (LVI), embarcações usadas pelo comando da BF no patrulhamento costeiro, têm uma tripulação de seis militares. Além das pistolas pessoais, os guardas transportam, em cada missão de patrulha, uma pistola-metralhadora semelhante às usadas nas viaturas da PSP e GNR.
Os 12 lança-granadas, segundo fonte da GNR, custaram em 2004 cerca de meio milhão de euros. Ainda foram experimentadas nas lanchas, mas as características das embarcações não permitem a segurança do tiro. Estas armas, de acordo com fonte militar, necessitam de uma base de apoio suficientemente grande e sólida. As lanchas, capazes de uma velocidade de 45 nós (o equivalente a cerca de 80 quilómetros por hora), mostraram-se “demasiado frágeis” para a estabilidade do tiro com as armas em causa.
LANCHAS NOVAS
A GNR planeia adquirir duas lanchas de patrulhamento costeiro dotadas com a mais moderna tecnologia. “Estas lanchas, mais estáveis e de maiores dimensões, seriam as adequadas para receber os lança-granadas”, disse ao nosso jornal fonte ligada ao processo.
No entanto, até hoje, estas lanchas nunca foram adquiridas. “Por isso foram efectuados os testes com as LVI, procurando fazer delas, em simultâneo, lanchas de intercepção e patrulhamento. Mas “são embarcações menos resistentes que se revelaram incapazes de suportar os lança-granadas”, acrescentou a mesma fonte.
Este armamento acabou por ter como destino o paiol do regimento de Cavalaria de GNR, na Ajuda, em Lisboa – onde ainda se encontram armazenadas sem utilidade.
PERFIL
O tenente-geral Mourato Nunes, de 60 anos, comanda a GNR desde 2003. Cumpriu três comissões em Angola durante a Guerra Colonial. É oriundo da arma de Infantaria, foi professor na Academia Militar, serviu nos Comandos e na cartografia. É um dos generais apontados para substituir Valença Pinto como chefe do Estado-Maior do Exército.
ARMAMENTO UTILIZADO NO IRAQUE
O Comando-Geral da GNR contesta que os 12 lança-granadas comprados em 2004 sejam armas inúteis. O material foi adquirido para equipar as lanchas rápidas da Brigada Fiscal e foi testado no mar. Mas, de acordo com o porta-voz da GNR, tenente-coronel Costa Cabral, “o comando da Brigada Fiscal fez uma análise da ameaça existente em situações de patrulhamento e optou por não instalar as armas”.
No entanto, segundo este oficial, “isto não significa que estejamos perante armas sem qualquer tipo de utilização”. Dois lança-granadas, do lote de 12 adquirido em 2004, foram utilizadas no Iraque pela força da GNR que lá esteve.
O equipamento foi montado em carros blindados usados pelos militares da Guarda em missões de patrulhamento em solo iraquiano. Finda a missão iraquiana, a GNR aguarda agora por novas missões que, de acordo com o tenente-coronel Costa Cabral, “exijam a utilização dos 12 lança-granadas”. A verdade é que dos 12 lança-granadas apenas dois foram utilizados: dez continuam no paiol novinhos em folha. Em situação semelhante encontra-se uma ambulância blindada que custou 250 mil euros.
A viatura, que ainda não serviu, encontra-se neste momento estacionada no Regimento de Cavalaria da GNR, em Lisboa. “Também se trata de uma viatura apta ao serviço”, concluiu o porta-voz da GNR.
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