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Correio da Manhã

Portugal
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Armas na mira da PJ

A Polícia Judiciária (PJ) apreendeu mais de 220 armas de fogo nos primeiros quatro meses deste ano e só em Lisboa já efectuou perto de 80 detenções por crimes contra a propriedade praticados com recurso a armas de fogo, ou seja, mais de metade dos casos registados em 2004. Números que, segundo fontes da PJ, representam um aumento em relação ao ano passado.
16 de Maio de 2005 às 00:00
Por razões conhecidas. “A apreensão de armas foi assumida como um objectivo estratégico e há uma boa colaboração com a PSP, em especial em determinadas zonas da Grande Lisboa”, adiantou ao Correio da Manhã um responsável policial.
Parte importante das armas apreendidas este ano estava nas mãos de Marcos Rouxinol Fernandes, o homem de 30 anos apontado como principal suspeito do homicídio de dois agentes da PSP da Amadora, a 20 de Março. Na moradia do Alentejo onde foi detido, Marcos guardava dezenas de armas, algumas delas revelaram-se verdadeiras novidades em Portugal, como a ‘Desert Eagle’, considerada por muitos a melhor do mundo.
Mas seria a morte de um outro agente da PSP, em Fevereiro, no Bairro da Cova da Moura, que determinaria o apertar da malha no combate às armas ilegais. A operação policial ‘Cerco Maior’ que, no final de Março, conduziu à detenção de um dos suspeitos da autoria dos disparos que vitimaram o agente Ireneu Dinis, significou muito mais do isso para as forças policiais.
“O trabalho da PSP em zonas-chave de Lisboa e arredores foi intensificado, as acções tornaram-se mais dirigidas e isso significou menos liberdade de movimentos para determinados indivíduos ou grupos”, adiantou fonte policial. Uma aposta na capital, onde se registam os índices mais elevados de criminalidade.
Ao mesmo tempo, a PJ ajudava também a fechar a rede. A apreensão de armas foi assumida como objectivo estratégico e passou a ser uma prioridade em cada crime investigado. “Não só se procede à recolha de indícios, como há também um grande investimento no sentido de recuperar as armas, de as retirar de más mãos”, disse uma fonte.
Em crimes como assaltos a espingardarias, como um ocorrido no final de Março, a principal preocupação foi recuperar as armas, impedir que fossem transformadas e utilizadas em novos assaltos. No caso concreto de uma espingardaria em Loures, o grupo de assaltantes, que acabou por ser detido em Abril, não hesitou em abrir fogo sobre um carro-patrulha da PSP depois de um outro roubo, numa bomba de gasolina.
As seis caçadeiras roubadas em Loures foram recuperadas ainda intactas, embora a PJ suspeitasse que poderiam vir a ser transformadas – com os canos serrados e as coronhas adaptadas – para uso em assaltos.
A subida no número de casos de armas de fogo utilizadas em crimes praticados contra a propriedade, em especial roubos, começou a notar-se em 2004 e a tendência manteve-se nos primeiros meses deste ano.
Até ao final de Abril, na zona da Grande Lisboa, onde estão localizadas algumas das zonas com índices de criminalidade mais elevados, tinham sido detidas 80 pessoas por este tipo de crime, número que em 2004 foi de 142 detenções.
No entanto, e segundo responsáveis policiais, a situação no terreno parece, pelo menos de momento, mais “calma” e a caminhar no sentido de uma “estabilização”.
TRÊS POLÍCIAS MORTOS A TIRO
A morte de três agentes da PSP, assassinados a tiro em duas ocasiões distintas no concelho da Amadora, deixou marcas profundas. Ao problema da proliferação das armas, algumas delas mais poderosas que as utilizadas pelos próprios polícias, juntou-se o ataque àqueles a quem cabe garantir a autoridade do Estado. Depois do assassinato do agente Ireneu Dinis, na Cova da Moura, em Fevereiro, e dos agentes Paulo Alves e António Abrantes, na Amadora, a PJ e a PSP decidiram apertar a malha nos bairros mais problemáticos e os resultados começaram a aparecer. No entanto, foi o arsenal encontrado na posse do luso-brasileiro apontado como autor da morte dos dois elementos da PSP que mais impressionou a Polícia. Quer pela quantidade, quer pela qualidade das quase cinquenta armas apreendidas.
INVESTIGAÇÃO
PISTOLAS
Mais de uma centena de pistolas e 64 caçadeiras fazem parte da lista de armas apreendidas pela Polícia Judiciária nos primeiros quatro meses do ano. O número total ronda as 230 unidades, o que significa mais de 50 armas retiradas da rua por mês.
REVÓLVERES
São 25 os revólveres recuperados no decurso de investigações da Judiciária este ano. Quatro espingardas, uma carabina e outras 27 armas de fogo estão também na lista das autoridades policiais.
TOTAL DE 2004
Nos doze meses de 2004, ano em que, segundo fontes policiais, se acentuou a tendência de subida no número de casos de uso de armas de fogo em crimes contra a propriedade, a PJ apreendeu 1036 armas.
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