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Correio da Manhã

Portugal
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ARMAS ROUBADAS DE LOJAS

Um total de 29 armas foi roubado ontem de madrugada em dois assaltos ocorridos em Vila Verde (distrito de Braga) e Aveiro, o que leva as autoridades a recearem uma nova vaga de violência, já que nos últimos anos vários 'gangs' têm usado este processo para se munirem de armamento antes de entrarem em 'acção'.
25 de Setembro de 2003 às 00:00
A Espingardaria Faria, em Vila Verde, cumpre as normas legais de segurança mas ficou sem 24 armas
A Espingardaria Faria, em Vila Verde, cumpre as normas legais de segurança mas ficou sem 24 armas FOTO: d.r.
No centro de Vila Verde, um trio armado - contando com a ajuda de uma viatura de apoio que vigiou os movimentos da GNR local - levou de uma espingardaria 20 caçadeiras de canos paralelos e automáticas e quatro de pressão de ar, além de munições e mais de 20 telemóveis.
Os assaltantes, aparentemente imigrantes de Leste e de forte compleição física, abafaram o sinal sonoro do sistema de alarme com a utilização de 'sprays' e arrombaram as fechaduras do gradeamento e da porta de entrada principal da 'Espingardaria Faria', que se dedica também ao comércio de telemóveis.
Segundo fonte da GNR, o assalto ocorreu entre as 05h00 e as 05h30. Os indivíduos, depois de colocarem a traseira de um Opel Corsa de cor preto junto ao estabelecimento, entraram e saíram da espingardaria por diversas vezes, carregando armas e telemóveis 'às sacadas'.
Pedro Arantes, sócio da loja, revelou que o prejuízo ascende a mais de 15 mil euros. O empresário garante que a espingardaria cumpre todas as regras de segurança exigidas pela PSP para este tipo de estabelecimentos, garantindo ainda que o alarme foi accionado, como sempre, no fecho da loja do dia anterior.
Os assaltantes puseram-se em fuga, na direcção de Braga, pouco antes da chegada da GNR - que se situa a 500 metros de distância. A Polícia Judiciária esteve também no local, assumindo a investigação.
MERCADO NEGRO
Fonte da GNR adiantou, entretanto, que, "além dos prejuízos materiais directos", um dos grandes problemas dos assaltos de ontem é a ameaça de estas mesmas armas serem usadas em novos crimes.
"É material obviamente muito perigoso e que tem a agravante de haver grandes probabilidades de entrar rapidamente no mercado negro e ser usado para acções ilícitas", comentou a mesma fonte, acrescentando que "não é normal este tipo de armas ser usado na caça".
GNR VIGIADA PELOS LADRÕES
O farmacêutico Amadeu Machado reside em frente à Espingardaria Faria. Testemunhou o assalto de ontem a partir da sua janela, mas não interveio, porque está ainda muito fresca a memória de um assalto ocorrido à mesma loja em Dezembro de 2001.
Na altura, um vizinho gritou em direcção aos assaltantes, que responderam com vários tiros de zagalote, tendo sido por pouco que Amadeu não foi atingido: os disparos bateram na parede junto à janela onde se encontrava.
"Não me meti, mas chamei logo a GNR, que também veio muito rapidamente e sem a sirene ligada. Mas os assaltantes deviam ter alguém a vigiar a GNR e fugiram logo", explicou o farmacêutico, que suspeita de um Golf que passou junto à loja "duas vezes, em dez minutos". A patrulha da GNR reconheceu que o mesmo veículo circulou na sua traseira pouco antes do assalto.
ESTABELECIMENTO DE AVEIRO SOFRE 15.º ASSALTO
Um pequeno buraco feito na montra foi quanto bastou a um assaltante para sacar cinco armas da montra de um armeiro em Aveiro, perto das 03h00 da madrugada de ontem. Na Espingardaria Valente este é já, segundo contas do proprietário, o 15.º assalto nos 30 anos da casa.
Desta vez, o ladrão não precisou de forçar grades ou escalar paredes, limitando-se a partir o vidro reforçado da montra com um pedregulho. Com a mão esticada, entre os buracos da grade de segurança, retirou todas as armas que estavam ao seu alcance e que não iam além dos 20 centímetros de distância.
Como o alarme não foi accionado, o armeiro só se apercebeu da situação de manhã, quando abriu a porta do estabelecimento. "Só levou armas de venda livre, três de pressão de ar e duas de alarme, avaliadas em cerca de 500 euros", esclarece Carlos Valente.
O objectivo do assalto, que Carlos Valente acredita ter sido feito por um ou mais jovens, será "o uso próprio ou a venda para reverter a favor da droga", pese embora não ponha de parte que "este tipo de armas pode muito bem intimidar as pessoas, por exemplo num assalto, porque são muito semelhantes às armas de munição", acrescentando: "Desta vez foi pouca coisa e feita por quem não tem experiência." No entanto, afirma que "é assim que eles começam" e recorda, ainda com preocupação, dois dos últimos assaltos de que foi vítima, protagonizados pelo chamado 'Gang da CREL', há cerca de três anos. "Na altura entraram mesmo no estabelecimento e levaram um total de 40 armas de caça. Algumas foram recuperadas pela polícia mas já tinham os canos serrados e estavam muito danificadas", recorda ao CM.
PODER DE FOGO
'GANG DA CREL’
O ‘Gang da CREL’ semeou o pânico em gasolineiras e entre automobilistas, no Verão de 2000, com roubos violentos na região de Lisboa. O grupo, constituído por jovens do bairro da Bela Vista, em Setúbal, armou-se com 20 caçadeiras roubadas em 14 de Julho desse ano, em Aveiro.
MARGEM SUL
O chamado ‘gang das caçadeiras’, formado por indivíduos da Margem Sul do Tejo, invadiu uma espingardaria de Santiago do Cacém, em 25 de Outubro de 2002, de onde levou 18 armas, para aumentar a sua força. O grupo, desmantelado duas semanas depois desse assalto, terá feito dezenas de roubos.
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