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Correio da Manhã

Portugal
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ARTE RECUPERADA

A Brigada das Obras de Arte da Polícia Judiciária do Porto deteve terça--feira cinco indivíduos por furto e receptação de obras de arte e outros bens, que foram avaliados em cerca de 500 mil euros.
14 de Novembro de 2003 às 00:00
 A Polícia Judiciária apreendeu diversos objectos de arte sacra, entre eles crucifixos e imagens
A Polícia Judiciária apreendeu diversos objectos de arte sacra, entre eles crucifixos e imagens FOTO: Baía Reis
Os detidos, comerciantes de antiguidades e arte sacra, há cerca de três anos que assaltavam durante a noite, por meio de arrombamento e escalamento, solares e casas solarengas, muitas delas com capelas anexas.
A actividade delituosa desenrolou-se no Norte do País, nomeadamente no Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, onde os detidos aproveitavam o facto de muitos dos solares e casas solarengas assaltadas estarem desabitadas ou servirem apenas para os proprietários ali passarem os fins- -de-semana ou as férias.
"Os assaltantes aproveitavam to-da essa vulnerabilidade para actuarem à vontade e, para além das obras de arte e objectos valiosos, levavam tudo que encontravam. Daí a variedade de objectos apreendidos", afirmou Teófilo Santiago, director adjunto da Polícia Judiciária.
Entre os diversos objectos apreendidos destacam-se várias imagens de arte sacra, crucifixos, quadros a óleo, dois dos quais já foram encontrados os respectivos donos, oratórios, arcas, canapés, espingardas, louças, mobiliário antigo, rádios antigos, relógios de pêndulo, cómodas, arcas e dois pianos.
"Pretendemos que os proprietários destes objectos, alguns valiosos, possam identificá-los e reavê-los. Senão, os que não forem procurados são entregues ao Tribunal, que os declara perdidos e a favor do Estado, sendo depois encostados a um canto, onde se estragam. Por isso, espero que as notícias despertem a atenção dos donos dos objectos, para que contactem a Judiciária", disse Teófilo Santiago.
Segundo este responsável, a investigação teve duas fases e não foi fácil desmantelar este grupo organizado, que actuava com todas as precauções.
O grupo estudava pormenorizadamente os locais a assaltar e depois estreitava relações com as populações com o intuito de conhecer os hábitos dos donos dos solares e casas solarengas, para depois actuar à vontade.
INVESTIGAÇÃO DUROU UM ANO
Desde há cerca de um ano que os inspectores da PJ tentavam identificar e localizar o grupo que efectuava sistemáticos furtos de arte na zona Norte. Em Fevereiro passado, os investigadores passaram à acção e detiveram sete indivíduos, responsabilizando-os por furtos e comercialização de obras de arte no valor de meio milhão de euros, tal como o CM relatou na sua edição do dia 7 desse mês. Os suspeitos, na sua maioria mecânicos e trabalhadores da construção civil, alguns conotados com a receptação dos artigos roubados, tinham idades entre os 18 e 50 anos e actuavam sobretudo nas zonas de Fafe e Guimarães, que lhes eram muito familiares. Duas das detenções ocorreram em flagrante delito, quando dois operacionais do bando fugiam após assaltarem uma residência em Fafe. Mas a PJ sabia que a rede não tinha sido completamente desmantelada, pelo que continuou a unir as 'pontas soltas' e a seguir pistas que sobravam. E foi desse trabalho que resultaram as cinco detenções de terça-feira.
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