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Correio da Manhã

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ARTE RUPESTRE EM FOCO

A VII Feira de Actividades Económicas e Tradicionais de Cooperação Transfronteiriça, que decorre em Vila Velha de Ródão de amanhã até domingo, pretende promover o intercâmbio comercial, cultural e recreativo nas comunidades raianas e divulgar as potencialidades da região.
26 de Junho de 2003 às 00:00
O artesanato será um dos pólos de atracção da feira de Ródão
O artesanato será um dos pólos de atracção da feira de Ródão FOTO: Lídia Barata
A arte rupestre é o tema central do evento, pois é objectivo da Câmara criar um centro de interpretação de nível europeu.
O certame, que implica um investimento de 150 mil euros, conta com 180 expositores, representando os mais variados sectores económicos, oriundos de várias regiões do País e de Espanha.
O excesso de procura levou a que a área de exposição esgotasse rapidamente, dado que este é um certame classificado entre os melhores do Interior do País.
Pela primeira vez, a Feira de Ródão conta com uma representação francesa, de Montville, com que a autarquia pretende fazer uma geminação no futuro. Nesta região existe uma comunidade rodense muito significativa e uma das vereadoras da autarquia francesa é natural de Perais.
Maria do Carmo Sequeira, presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão, sublinha as alterações feitas na feira deste ano. Para além da habitual promoção das actividades económicas do concelho e da região, com destaque para o artesanato e produtos regionais, "este é um certame que se pretende que seja temático".
"O tema deste ano é a arte rupestre, como forma de valorizar o concelho" e o que tem de "interessante e diferente. Vila Velha de Ródão tem uma das maiores estações de Arte Rupestre da Europa", explica a autarca, lamentando que "muitas das figuras estejam submersas pela barragem do Fratel".
"É preciso muito trabalho no sentido de se saber em que estado se encontram as figuras", concluiu Maria do Carmo Sequeira.
PROGRAMA
MÚSICA
No programa da Feira de Vila Velha de Ródão constam várias iniciativas de índole musical, cultural e recreativo. Na música o destaque vai para a presença dos consagrados Luís Represas e Santos e Pecadores.
O ex-Trovante subirá ao palco amanhã (dia 27) à meia-noite, enquanto no sábado, à mesma hora, está previsto o concerto dos Santos e Pecadores. Uma discoteca ao ar livre animará as madrugadas dos resistentes.
TASQUINHAS
O espaço dedicado aos expositores e as tasquinhas serão, tal como em anos anteriores, os locais preferidos pelos milhares de visitantes esperados este fim-de-semana em Vila Velha de Ródão.
Nas tasquinhas os visitantes poderão provar vários petiscos, desde carne e sardinha assada a outros repastos da boa gastronomia da zona, e ainda beber do vinho da região. O encerramento da feira ocorrerá às 23 horas de domingo com um espectáculo de fogo de artifício.
TÃO IMPORTANTE COMO A DE FOZ CÔA
António Martinho Baptista, director do Centro Nacional de Arte Rupestre, voltou a Vila Velha de Ródão, três décadas depois, para concretizar um sonho: "Pegar e trabalhar a arte rupestre do Tejo, que, provavelmente, conheço como ninguém e que é tão importante como a de Vila Nova de Foz Côa", garantiu. A nota negativa tem a mesma idade deste sonho. Trata-se da entrada em funcionamento da barragem do Fratel, que fez submergir as figuras, "um dos espólios mais importantes da Península Ibérica. Se fosse hoje, aquela barragem não era construída, tal como aconteceu também em Vila Nova de Foz Côa".
O Centro Nacional de Arte Rupestre está em Ródão, desde o dia 2, para realizar, numa primeira fase, trabalhos e análises complementares aos que se realizaram há mais de 30 anos. Martinho Baptista garante: "Dentro de dois anos teremos aqui um Centro de Interpretação de arte rupestre". Estas figuras estendem-se por cerca de 40 quilómetros do rio Tejo e um pouco do Ocreza, "mas o centro nevrálgico está em Ródão, apesar de abranger também os concelhos de Nisa e Mação. Queremos ter aqui um Centro de nível europeu e estamos a trabalhar para isso", referiu o arqueólogo. Segundo Martinho Baptista, em Ródão pode encontrar-se arte paleolítica desde há 20 mil anos até há 10 mil, arte que é complementar à de Foz Côa. "O vale do Tejo tem uma arte mais simbólica, mais abstracta, muito idêntica à arte contemporânea. Estamos a falar de arte esquemática, que se estende de 6 ou 7 mil anos a.C. até à idade do bronze". E acrescenta: "O cavalo paleolítico é a gravura mais antiga do Tejo, mas é sinal que os caçadores de Foz Côa passaram por aqui".
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