Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal

"As redes de tráfico de droga evoluíram”

Major Azevedo Palhau, oficial da Brigada Fiscal da GNR, coordena o combate ao tráfico na costa algarvia. Nos últimos dois anos supervisionou a apreensão de mais de vinte toneladas de haxixe e deteve 57 traficantes.
22 de Dezembro de 2008 às 00:30
'As redes de tráfico de droga evoluíram”
'As redes de tráfico de droga evoluíram” FOTO: Mariline Alves

CM – Qual é o trabalho da Brigada Fiscal (BF) no combate à droga quando é a PJ quem tem o exclusivo da investigação?

Major Palhau – A BF vigia a costa, e a PJ investiga. A cooperação é importante, graças aos pólos [organizações interpoliciais] de combate ao tráfico internacional. A PJ coordena esses pólos e a informação leva-nos a balancear os meios da melhor forma.

– Tem-se notado o aumento do uso de semi-rígidos (lanchas rápidas) em descargas de droga.

– Sim. Das embarcações de pesca as redes de tráfico evoluíram, há cerca de cinco anos, para as lanchas voadoras, com custo entre 250 mil a 500 mil euros.

– Como se apanham as lanchas?

– Os meios de vigilância nocturna ajudam à intercepção. Em dois anos, apreendemos já dezenas destas lanchas e, por ordem judicial, usamos duas para patrulhar. A vigilância terrestre é feita por cem homens na costa algarvia sul, e outros 100, na costa vicentina.

– Com bons resultados?

–Em 2007, no Algarve foram apreendidos 10 970 quilos de haxixe e detidas 34 pessoas. Este ano, até ao momento, foram recuperados 10 370 quilos de haxixe e apanhadas 23 pessoas. Por apreensão, apanhamos duas a quatro toneladas.

– Com a criação da Unidade de Controlo Costeiro (uma das duas em que dividirá a Brigada Fiscal), o que vai mudar?

– A Unidade de Controlo Costeiro abandonará o sistema LAOS de vigilância da costa, que será substituído pelo SIVICC, com postos fixos e postos móveis de recolha de imagens. A costa algarvia continuará a ser patrulhada por dois destacamentos (Olhão e Sines).

"AGORA ESTUDA-SE AS ROTAS DA FUGA"

CM – 2008 vai fechar com menos haxixe apreendido e menos detidos. Como se explica isso?

M. P. – Em 2008, as condições meteorológicas no Norte de África levaram a produção agrícola a aumentar, o que incentivou o tráfico internacional de haxixe. Houve maior detecção de movimentos, não necessariamente um maior trabalho da nossa parte. Quando não há tantas apreensões de droga, não quer dizer que não haja tráfico.

– Houve mudança no perfil dos traficantes?

– Até há 3 ou 4 anos, indivíduos de Leste eram contactados para participar em desembarques de droga. O fraco conhecimento da costa levou a que fossem substituídos por magrebinos e neste momento estamos já a falar de europeus (portugueses e espanhóis).

– O conhecimento do terreno por parte dos traficantes é obstáculo ao vosso trabalho.

– Sim, agora as redes estudam as rotas de fuga para permitir sucesso em caso de serem por nós detectados.

PERFIL

José Alberto Azevedo Palhau tem 44 anos. Entrou para a extinta Guarda Fiscal em 1987, e daí transitou para a Brigada Fiscal da GNR. Comanda há um mês o Grupo Fiscal de Évora. Com a criação da Unidade de Controlo Costeiro, o Major palhau irá comandar o destacamento de Olhão. É casado e tem uma filha de 14 anos.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)