O meu filho está em mim. Tal como saiu de mim, voltou a mim.” O Nuno morreu há 24 anos, quando tinha onze, e desde então a vida da mãe, Aida Moniz, tem sido de luto, mas também de luta para se manter à tona, a si e à sua família. Aida é uma das autoras do livro ‘Na Curva da Vida’, editado pela associação Âncora, de apoio a pais em luto, já à venda nas livrarias Bulhosa.
Nada sabe desta dor quem não perdeu um filho. No livro, Emília Pires, João de Bragança, Aida Nuno [o nome dela e o do filho], Clara Rodrigues e Emília Agostinho escrevem sobre a que sentiram e sentem, com o objectivo de auxiliar outros pais, médicos, enfermeiros, psiquiatras e psicólogos, preparados para lutar contra a morte, mas não para lidar com os efeitos dela, como assume João Sennfelt, chefe de serviço do Hospital Miguel Bombarda, no prefácio do livro.
“Esta dor não tem cura.” Sabe-o Aida Nuno, de 61 anos, que perdeu o filho precisamente na altura em que a vida parecia estar a equilibrar--se do ponto de vista financeiro e emocional. Tinha 38 anos e estava em condições de gozar pela primeira vez férias no Algarve com a família quando soube que o Nuno sofria de síndroma nefrótico.
Dois anos e meio depois estava à cabeceira dele. Ouviu-lhe o último suspiro e afirma sentir-se “muito feliz por tê-lo visto morrer, por ter estado com ele naquela hora”. Quando chegou a casa, deu a cama onde o Nuno dormia à porteira. “Tinha outro filho, com 13 anos, e preocupei-me também com a dor dele, quando olhasse para a cama vazia.” Naquela altura, Aida não pensou em si, pensou na família, sentindo o perigo de derrocada, contra o qual lutou.
Há fotografias do Nuno espalhadas pelo apartamento de Benfica. “Não encaro a morte como um tabu. Falo naturalmente do meu filho. Pergunto ‘vocês lembram-se daquela vez em que ele disse isto ou fez aquilo?’ Mas também não sou obcecada, não falo constantemente dele, porque ele está em mim.”
INSUBSTITUÍVEL
“Às vezes dizem-nos: ‘Vocês têm outros filhos’, ou então ‘Vocês são muito novos, podem ter outros filhos’. Como as pessoas são simplistas. Um filho é um filho e nada nem ninguém o poderá substituir. Eu poderei ter dez filhos, que a perda da Mónica será sempre igualmente cruel.” (Emília Pires)
FUTURO
“Poderei mesmo cair na tentação de me imaginar responsável por qualquer falha nos três anos de vida dele. Terá sido ao nascer? Onde errei?... Se insistir na pergunta não estarei a perpetuar uma memória – não aquela que nos faz companhia, mas a que nos impede de ver o futuro?” (João de Bragança)
CORAGEM
“Fui tomando consciência de que ele existia dentro de mim, estava comigo e era ele a dar-me a coragem necessária para não desistir.” (Emília Agostinho)
"REDIFINIR RAZÕES PARA VIVER" (Catarina Mexia, psicóloga clínica e terapeuta familiar e conjugal)
Correio da Manhã – Como se lida com a morte de um filho?
Catarina Mexia – Vai-se aprendendo a lidar. É uma aprendizagem mais longa do que a de qualquer outra perda, porque não é natural os filhos morrerem antes dos pais.
– Esta é mesmo a dor maior?
- É a dor maior, é a maior perda.
– Os pais sentem que a vida deles também acaba.
– Sim, mas o ser humano tem uma capacidade de sobrevivência que nem ele próprio imagina. Há uma série de objectivos, nem que seja pensar que se vai almoçar fora no dia seguinte. Os pais que perdem os filhos repensam os objectivos, redireccionam a vida, redefinem as razões que os fazem trabalhar, divertir-se...
– O casal une-se, a mãe e o pai em luto tentam consolar-se?
– Essa é uma versão hollywoodesca da situação. Eles precisam um do outro, mas um pode estar sempre a lembrar ao outro que o filho morreu ou decidir que esse é um assunto tabu. Também o casal tem de reaprender a conviver.
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