Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
1

ASMA AFECTA MAIS MIUDOS

Ácaros, fumo dos cigarros, poluição automóvel, pólen e poluentes químicos são alguns factores de agravamento da asma brônquica, uma doença crónica que afecta cada vez mais crianças. À consulta de alergologia pediátrica do Hospital de Santa Maria, Lisboa, acorrem por ano 13000 miúdos de palmo e meio.
10 de Abril de 2003 às 00:00
Os médicos Natália Ferreira e Costa Trindade alertam para o facto de aumentar o número de crianças com problemas alérgicos
Os médicos Natália Ferreira e Costa Trindade alertam para o facto de aumentar o número de crianças com problemas alérgicos FOTO: Jorge Godinho
“Temos em ficheiro um total de 12948 crianças, desde o primeiro ano de vida até aos 16 anos. Recebemos uma média de dois novos casos por dia. Não assistimos mais crianças porque não temos capacidade para tal”, afirma ao CM Natália Ferreira, alergologista.
Os números de crianças afectadas pela asma falam por si, em 2001 surgiram 445 novos casos naquela unidade de saúde e 5300 crianças tiveram uma segunda consulta.
No ano anterior foram menos crianças consultadas pela primeira vez (400), enquanto à segunda consulta foram 4200 miúdos.
Todas estas crianças estão em risco de não serem consultadas por um médico especialista passando a ser consultadas por um clínico geral.
RISCO DE FECHAR
“Actualmente são apenas quatro os médicos que fazem aquela consulta no Santa Maria, prevendo-se que dentro de dois anos haja apenas um, porque os restantes irão para a reforma”, refere José Costa Trindade, pediatra e responsável pela unidade.
“Estas consultas estão em risco de fechar por falta de especialistas e há seis anos que ando a alertar para esta situação”, adianta.
Os especialistas conciliam a assistência clínica com a pedagogia da doença. Enquanto esperam pela consulta, as crianças aprendem como conviver da melhor maneira com a asma. O resultado foi a publicação de desenhos e frases suas compilados no livro “A Asma Vista pelas Crianças”, publicado pela Merck Sharp & Dohme, da autoria da alergologista Natália Ferreira.
“É preciso desmistificar a asma porque existem medicamentos preventivos. Chegam aqui crianças que quase não brincam, não correm nem jogam à bola porque têm medo de ter uma crise e outros têm pais superprotectores que não os deixam brincar”, sublinha a especialista.
Prevenção é a palavra mágica para estas crianças que através dos desenhos feitos na sala de espera exprimem o que sentem.
O QUE SENTEM
A Teresa, 8 anos, desenhou um par de pulmões e uma menina a chorar. Diz ela que “a asma é uma coisa horrorosa e muito má”. O Bruno, 11 anos, acha que se “a asma não for bem tratada é grave!” e faz uma ambulância a caminho do hospital.
O Fábio, 10 anos, desenha a mãe a sacudir os lençóis da cama e ele, aos pés, a tossir “cof, cof”. Escreve: “tenho alergia aos ácaros do pó da casa e ao pólen. Quando tenho falta de ar sinto que me doem os pulmões, por isso tenho que ficar em casa.”
Fábio, de 11 anos, desenha um médico com um estetoscópio a fazer-lhe o exame e a pedir-lhe para respirar fundo. Ele acha que a asma “é muito chato: tenho de tomar sempre medicamentos”. Mara, 4 anos, sabe que a vacina a faz sentir-se melhor e desenha um grande sorriso.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)