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Correio da Manhã

Portugal
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ASSALTOS A OURIVESARIAS NA DAMAIA E ENTRONCAMENTO

Mais duas ourivesarias foram anteontem assaltadas, desta vez na Damaia, concelho da Amadora, e no Entroncamento. Se no primeiro caso os indivíduos actuaram a tiro de caçadeira, na segunda situação os gatunos arrombaram, com uma viatura, a porta de entrada do centro comercial onde se situava a ourivesaria. Em três semanas, as autoridades contabilizam já nove assaltos a ourivesarias.
7 de Março de 2003 às 00:49
O crime de anteontem, na Damaia, foi, em grande parte, semelhante ao caso ocorrido, a 26 de Fevereiro, numa ourivesaria de Sines. Tal como nesse dia, os quatro assaltantes, que actuaram encapuzados, não hesitaram em abrir fogo, com o intuito de estilhaçar as fortes vidraças que os separavam do interior da ourivesaria. “Tudo aconteceu pelas 19h30, e quem estava cá nessa altura eram a minha mulher, um cunhado e uma cunhada minha”, explicou Modesto Marques, proprietário da ourivesaria ‘Lua de Prata’, na Damaia.

Apesar da rapidez, a chegada dos gatunos ao local do crime não deixou ninguém indiferente. Testemunha próxima dos acontecimentos, Clarinda Marques viu três dos indivíduos saírem de um Honda CRX vermelho, mantendo-se um quarto sujeito ao volante da viatura. “Assim que chegaram eles deram três tiros numa das montras da ourivesaria, e como esta não partiu, deram outro tiro na porta, que abriram ao pontapé”, contou a comerciante ao CM. Na ourivesaria, os assaltantes dividiram-se. Enquanto um abriu fogo contra a montra principal do estabelecimento, ‘limpando-a’ em poucos segundos, o outro disparou contra um dos mostruários exteriores, que também depressa esvaziou. O CRX foi abandonado em Monsanto e tinha sido furtado em Alfragide.

Já na madrugada do mesmo dia, no Entroncamento, desconhecidos usaram uma viatura para arrombar a porta de um centro comercial, seguindo em direcção a uma ourivesaria, cuja porta de entrada destruíram com um macaco. Em minutos, 90 mil euros em ouro voaram do local.

ELEMENTOS

OS 'GANGS'

No início da vaga de assaltos a ourivesarias, as autoridades julgavam tratar-se de um único ‘gang’, mas mudaram de opinião e agora falam da existência de, no mínimo, dois grupos, tanto mais que no dia 26 de Fevereiro houve dois assaltos em simultâneo: Lisboa e Sines.

AS HORAS

Em termos temporais tem havido dois tipos de crimes contra ourivesarias, os furtos e os roubos. Os primeiros têm sido praticados durante a noite e os segundos ao fim da tarde, neste último caso com os grupos a agirem armados em particular com espingardas caçadeiras.

ORGANIZAÇÃO

Os assaltos verificados em ourivesarias têm-se caracterizado por alguma organização, quer porque os ladrões sabem ao que vão e o que procuram quer em termos de tempos: não mais de cinco minutos, para reduzir as hipóteses de serem detectados ou de a polícia entretanto chegar.

NINGUÉM SABE PARA ONDE VAI O DINHEIRO

O proprietário da ouriversaria assaltada segunda-feira na Amadora, no Centro Comercial Babilónia, teve um prejuízo de quase 300 mil euros, mas há uma questão que ele deixa no ar: “Com tantos assaltos a ourivesarias nos últimos dias era bom que também tentasse explicar para vai onde tanto ouro”.

Nas palavras do ourives o problema não está apenas no número de assaltos mas essencialmente saber para onde é escoado o ouro resultante dos actos criminosos – nove nas últimas três semanas.

Mas aqui as dificuldades têm sido imensas. Se já parece ser difícil encontrar os responsáveis pela onda de assaltos também conhecer o destino do ouro torna-se ainda mais complexo.
Um elemento policial lembra que “há quatro ou cinco anos houve uma vaga de assaltos a ourivesarias semelhante.

Conseguimos chegar aos assaltantes – eram do Bairro da Jamaica (Margem Sul do Tejo) –, mas, em contrapartida, nunca conseguimos chegar aos destinatários do ouro”.
No entanto, há a certeza de que se trata de encomendas, uma vez que “seria difícil escoar tanto ouro de um momento para o outro se não existissem interessados directos.

E os interessados poderão estar em Portugal”. Por outro lado há a questão do valor do ouro, que está em franca subida, com a procura a acelerar, até pela ameaça de guerra com o Iraque, o que faz os consumidores procurarem os metais preciosos. Serão duas coincidências, mas a verdade é que se assiste, por um lado, a uma subida do preço do ouro, por outro, ao aumento do número de assaltos.
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