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Correio da Manhã

Portugal
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Padres vítimas de gangues

Três sacerdotes foram atacados nas casas paroquiais em três dias. Último ataque foi a Augusto Pereira Batista, em Perosinho, Gaia.
28 de Setembro de 2013 às 01:00
Carlos Ramos (à esquerda), de 26 anos, ajudou o padre que estava com as mãos amarradas
Carlos Ramos (à esquerda), de 26 anos, ajudou o padre que estava com as mãos amarradas FOTO: CMTV

Em três dias, um grupo de ladrões encapuzados e extremamente violentos tem espalhado o terror em casas paroquiais. Desde quarta feira, o gang já atacou três padres. O método é sempre o mesmo: arrombam portas ou janelas, surpreendem as vítimas enquanto dormem, agridem-nas barbaramente e, no final, amarram nas. O último caso aconteceu na madrugada de ontem, na residência do pároco de Perosinho, em Vila Nova de Gaia. Antes, os alvos foram o sacerdote de Mujães, em Viana do Castelo, e outro que reza missa em três freguesias de Valença.

O padre Augusto Pereira Batista, de 75 anos, sacerdote em Perosinho e Seixezelo, ficou em choque com o ataque. Na cama do hospital privado da Arrábida, em Gaia, onde ficou internado devido às graves lesões, referiu a um dos colaboradores não querer mais viver sozinho nem voltar à moradia onde foi espancado. O pároco foi surpreendido enquanto dormia.

"Ele ficou muito assustado. Foram muito violentos", disse ao CM José Lucas, amigo do padre atacado. "Ela tinha estado a ler no Correio da Manhã que o colega de Viana do Castelo [o padre Manuel Pereira] tinha sido assaltado em casa e ficou muito preocupado. Até comentou que estava preocupado", contou.

O assalto aconteceu à 01h00. O trio estroncou a janela de um quarto para entrar. Bastante agressivos, obrigaram o padre a abrir o cofre - onde estavam guardados ouro e cerca de quatro mil euros em dinheiro, de doações dos paroquianos à igreja.

Já com os artigos roubados, o trio ainda amarrou o padre nas mãos e nos pés com uns suspensórios, que estavam na mesa de cabeceira. Só uma hora após o ataque é que aquele se conseguiu libertar. "Ouvi muitos gritos. Não sabia de quem eram. Vim à rua e vi o senhor padre muito aflito, cheio de sangue na cara e com as mãos atadas. Saltei o muro e fui ajudá-lo", referiu Carlos Ramos, o jovem de 26 anos que socorreu o sacerdote.

Assustado, o padre pediu para Carlos Ramos o desamarrar. "Ele estava em pânico. Dizia que o tinham roubado e que tinham dito para estar calado enquanto lhe batiam. Quando entrei na casa vi a janela partida e a casa toda remexida", frisou o vizinho.

A Polícia Judiciária do Porto esteve ontem no local e recolheu alguns vestígios deixados.

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