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Correio da Manhã

Portugal
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Assassina a ex-mulher com dois tiros no peito

Movido por ciúmes, Pedro, de 44 anos, esperou ontem de manhã que a ex-mulher, Elisabete, chegasse ao local de trabalho – um restaurante em Paço de Arcos, Oeiras. Com uma pistola de calibre 6,35 mm, efectuou dois disparos à queima-roupa, atingindo-a no peito. A mulher teve morte imediata. O casal tinha duas filhas (ver caixa), que viviam com a mãe e com o seu actual companheiro.
9 de Dezembro de 2008 às 00:30
Elisabete, de 40 anos, foi abatida com dois tiros pelo homem com quem viveu durante vinte anos. Morava em São Marcos, Sintra, com as duas filhas, ainda menores, e era ajudante de cozinha num restaurante de Paço de Arcos.
Elisabete, de 40 anos, foi abatida com dois tiros pelo homem com quem viveu durante vinte anos. Morava em São Marcos, Sintra, com as duas filhas, ainda menores, e era ajudante de cozinha num restaurante de Paço de Arcos. FOTO: Vítor Mota

Como todos os dias, a vítima, de 40 anos, chegou cedo ao restaurante e foi buscar a chave do armazém para trocar de roupa. Foi nesse instante que foi surpreendida pelo antigo companheiro, que a atingiu com dois tiros. Depois disso, o homicida saiu do armazém e esperou a chegada da polícia. Segundo os vizinhos, Pedro "nunca aceitou bem a ideia de Elisabete ter outro homem".

Afonso Oliveira, actual companheiro de Elisabete estava desolado. "Nunca pensei que ele chegasse a tanto", desabafou ao CM.

Já há algum tempo que o homicida andava a ameaçar a vítima, que chegou a apresentar queixa à PSP por causa de uma tentativa de agressão com uma faca. "Ele é um monstro. Quando vivia com ela tratava-a muito mal e depois da separação sempre que a via na rua chamava-lhe quantos nomes havia", contou Afonso Oliveira.

Afonso viu Elisabete viva pela última vez quando a deixou à porta do restaurante. "Nem queria acreditar quando me vieram dizer que ela estava morta. Estou a viver um pesadelo", lamentou.

Elisabete e Afonso estavam juntos há apenas dois meses.

"ESTAVA A GOSTAR DE VIVER"

Cheila, de 16 anos, e Sónia, de sete, são as duas filhas da mulher que foi ontem assassinada pelo ex--marido. A mais velha não estuda e encontra-se actualmente desempregada, enquanto que a mais nova é aluna da 2ª classe.

As duas raparigas viviam com a mãe e com o companheiro desta em São Marcos, Sintra. "A minha mãe morreu logo agora que estava a gostar de viver", dizia a filha mais velha, visivelmente perturbada com a morte da progenitora.

"Ainda estava a dormir quando recebi esta notícia terrível", explicou a rapariga.

As menores não mantinham muito contacto com o pai e eram chegadas à mãe. "Ela vivia para as filhas e fazia de tudo para as ver bem. Aquele assassino nunca a ajudou com as despesas", contou ao CM uma vizinha.

"DEPOIS DE A MATAR FARTOU-SE DE CHORAR"

Depois de assassinar a ex-mulher, Pedro saiu do local do crime ainda com a arma na mão e não teve reacção para fugir. Foi um homem que estava na rua que se dirigiu ao homicida e lhe tirou a arma. Segundo o relato de testemunhas oculares, o homicida não conseguia conter as lágrimas. "Chorava como um menino. Até metia impressão", disseram.

A PSP chegou pouco tempo depois e levou o autor do crime, que não terá oferecido resistência. Foi entregue à Polícia Judiciária.

Pedro era empregado de mesa num bar em Paço de Arcos e passava as tardes a jogar às cartas num café da zona. O CM apurou ainda que o autor do homicídio costumava beber bastante, sendo visto várias vezes embriagado.

PORMENORES

VINTE ANOS DE UNIÃO

Pedro e Elisabete viveram juntos durante vinte anos. O homicida nunca aceitou bem a separação.

"ADORADA POR TODOS"

De acordo com a proprietária do restaurante, toda a vizinhança gostava de Elisabete. "Era muito boa pessoa e, por isso, era adorada por todos."

FAMÍLIA INCONSOLÁVEL

A notícia da morte de Elisabete tomou todos de surpresa. Ontem, a filha mais nova ainda não sabia da morte da mãe.

 

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