Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
5

Assassinada após cinco queixas

Agressões eram frequentes nos últimos dois anos, o que levou a vítima a participar às autoridades. A última discussão foi por causa de 300 euros
23 de Julho de 2010 às 00:30
Teresa, filha de Fernanda e Alberto, garante que queixas foram apresentadas depois da nova lei entrar em vigor
Teresa, filha de Fernanda e Alberto, garante que queixas foram apresentadas depois da nova lei entrar em vigor FOTO: Rui Miguel Pedrosa

Depois de apresentar cinco queixas contra o marido nos últimos dois anos, por agressões e ameaça com arma de fogo, Fernanda da Nazaré Barroca, de 52 anos, foi assassinada a tiro, anteontem à noite, na casa onde os dois residiam em Ordem, Marinha Grande.

O marido, Carlos Alberto Coutinho, de 61 anos, disparou pelo menos três tiros com uma arma de calibre 6.35 mm sobre a vítima, atingindo--a no tórax e na cara. Tudo por causa de 300 euros que "ele pretendia para arranjar o carro e ela não queria dar-lhe com medo de que fosse para estragar com amigas", conta Teresa Coutinho, filha do casal.

A arma usada terá sido a mesma com que tinha ameaçado Fernanda e que, há cerca de dois anos, quando as agressões passaram a ser frequentes, motivou a primeira queixa da vítima às autoridades. Nessa altura, Fernanda chegou a sair de casa, mas, perante a promessa do marido de que "já se tinha desfeito da arma", aceitou voltar e desistiu da queixa. "Acreditou nele", lamenta a filha.

As cenas de violência sucederam-se e nos últimos dois anos foram apresentadas pelo menos mais quatro queixas, garante a filha. Ela própria foi chamada ao Ministério Público, onde lhe disseram que "a relação deles era de amor-ódio. Que não podiam estar juntos, nem separados". Teresa Coutinho tentou também junto do centro de saúde da Marinha Grande encontrar uma solução para o pai, depois de ter sido diagnosticado que era bipolar. "Eles disseram que não podiam obrigá-lo a internar-se", relata. Na quarta-feira à noite foi surpreendida pela tragédia.

Depois de disparar sobre a mulher, Carlos Coutinho pediu ajuda a um vizinho, que alertou as autoridades. A filha do casal, Teresa Coutinho, não se conforma com o desfecho e assegura que foram apresentadas queixas "já depois da entrada em vigor da nova lei", que considera a violência doméstica um crime público, não necessitando de queixa.

GNR AGREDIDO E AMEAÇADO POR MARIDO VIOLENTO

Uma patrulha da GNR de Viseu teve grandes dificuldades para, anteontem, dominar e deter um homem, de 45 anos, suspeito da prática de violência doméstica para com a esposa, na localidade de Casal de Mundão, em Viseu.

Segundo apurou o CM, a GNR foi chamada à residência para pôr cobro a cenas de violência e ameaças entre o casal, ao final da tarde. O homem, quando viu os militares da GNR na residência, ficou ainda mais furioso, injuriou e ameaçou os guardas. "O que é que estão aqui a fazer. Vão-se embora", gritou o suspeito. A patrulha deu-lhe ordem de detenção e ele resistiu com grande força, e, na contenda, agrediu um dos militares. Foi necessário pedir reforço policial para dominar o suspeito e retirá-lo da residência. O homem foi ontem presente ao Tribunal de Viseu.

TENTA FORÇAR EX-COMPANHEIRA A INGERIR LÍQUIDO

Um homem de 33 anos foi detido quarta-feira depois de forçar a ex--companheira, em Castanheiro, Figueira da Foz, a ingerir um líquido. Inconformado com a separação, o homem foi a casa de Aida Moço, a vítima, de 41 anos, e tentou forçá-la a beber o líquido, que agora será analisado. A mulher fugiu, mas foi atingida pela substância na cara, deixando-lhe "marcas como se fosse ácido", conta Sandra Moço, filha da vítima. "Ela pedia água porque já não via nada", descreve Cláudia Garcia, que a socorreu. O casal está separado há uma semana, mas já em Dezembro Aida apresentou queixa por agressão.

 

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)