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Correio da Manhã

Portugal
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Assassinado à facada

No dia 31 de Dezembro, a poucas horas da passagem de ano, Luísa Pereira pediu ao marido, Virgínio, para ir comprar um bolo-rei. Mas ele, reformado da Câmara de Setúbal, de 67 anos, não quis ir. Estalou a discussão. Paulo, de 35 anos, filho de Luísa, resolveu acabar com tudo, esfaqueando Virgínio nas costelas.
3 de Janeiro de 2006 às 00:00
A vítima faleceu minutos depois, tendo o alegado homicida sido detido pela PSP ainda no local do crime.
Cecília Pereira, filha de Virgínio, viu o pai, agonizante, estendido no chão, a poucos metros da casa onde habitava, na Alameda do Pinheiro, no Bairro 2 de Abril, em Setúbal. Virgínio estava numa poça de sangue.
“O meu irmão mais novo, que assistiu a tudo, contou-me que a Luísa, minha madrasta, lhe disse que o nosso pai a tinha agredido por causa da história do bolo-rei. Pouco depois de ele ter ouvido isto, foi a correr ao quarto do meu pai e testemunhou o crime”, recorda Cecília Pereira ao Correio da Manhã.
Virgínio, manietado por Paulo, o enteado, que é deficiente físico e usa muletas, debatia-se para se soltar. “O meu pai só dizia para ele o largar. O Miguel, meu irmão, ainda viu o Paulo com uma faca na mão”, acrescentou a filha da vítima.
Quando finalmente se conseguiu soltar, Virgínio fugiu de casa e partiu em busca da filha. “Só conseguiu andar cerca de 50 metros. Quando o encontrei, estava caído no chão, com a mão nas costelas. Ainda olhou para mim e depois desfaleceu”, disse ao CM.
Paulo, o principal suspeito do crime, foi preso cerca de dez minutos depois. Ainda tentou sair de casa, mas a deficiência física não permitiu que fosse muito longe. A PSP encontrou-o ainda no local do crime. Detido de imediato, reconheceu, em primeiro interrogatório, ter dado uma facada em Virgínio. Mas a família da vítima não se conforma e não atribui as culpas do crime só a Paulo. “A Luísa e um filho fugiram daqui. Gostávamos de saber o que se passou”, diz Cecília Pereira.
PORMENORES
NAVALHA
A arma alegadamente usada para matar Virgínio Pereira, uma navalha com cinco centímetros de lâmina, foi encontrada na posse de Paulo, o principal suspeito do crime. Ainda tinha vestígios de sangue.
INTERROGATÓRIO
O interrogatório do principal suspeito do crime foi transferido para ontem. Ao final da tarde, Paulo ainda estava a ser ouvido no Tribunal de Setúbal.
FILHOS
O casamento de Virgínio com Luísa, ocorrido há cerca de dez anos, nunca mereceu a concordância dos filhos da vítima do crime. “Sempre achámos que ela o tratava muito mal”, recordou Cecília, filha de Virgínio.
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