Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
1

ASSASSINOS DE PORTEIRO PUNIDOS COM PENA MÁXIMA

Os dois indivíduos que se sentaram no banco dos réus do Tribunal da Boa Hora, em Lisboa, acusados do homicídio de um porteiro da discoteca Kremlin, foram ontem condenados à pena máxima de 25 anos e ao pagamento de elevadas indemnizações aos familiares das vítimas.
19 de Junho de 2002 às 00:39
Ficou provado no acórdão lido pelo colectivo de juízes presidido por Abílio Ramalho, que os arguidos Bruno Araújo, de 24 anos, com a alcunha de 'Popeye', e João Vaz, de 26 anos, conhecido como o 'Vassouras', faziam parte do grupo que, cerca das 08h00 de 17 de Março de 2001, se deslocou de carro à discoteca Kremlin, localizada na zona da Avenida 24 de Julho, em Lisboa.


Os cinco indivíduos, membros deste grupo, saíram do Renault Clio Williams em que seguiam com a intenção de entrar nas instalações da discoteca. No entanto, a proximidade da hora de encerramento da discoteca levou o porteiro de serviço a barrar-lhes a entrada.


Insatisfeitos com a recusa, os sujeitos voltaram ao automóvel, tendo quatro deles regressado armados de pistolas e revólveres, de calibre de guerra, fazendo uso das mesmas para disparar indiscriminadamente contra as pessoas que se encontravam à porta da discoteca.


Os mais de 20 projécteis disparados atingiram mortalmente o porteiro Sérgio Reis, de 26 anos, e feriram outros três seguranças (um dos quais irmão da vítima), e um cliente. À porta encontravam-se ainda mais quatro clientes, que não foram atingidos.

Detenções rápidas

Após o crime, a Polícia Judiciária tomou conta das investigações, tendo do seu lado uma forte arma. O sistema de vídeo-vigilância da discoteca, activo nessa noite, permitiu captar imagens dos suspeitos da autoria do crime, o que levou à detenção, algumas semanas depois, de Bruno Araújo e João Vaz.


A 8 de Maio deste ano, os dois indivíduos sentaram-se no banco dos réus do Tribunal da Boa Hora, respondendo por uma acusação de homicídio qualificado, na forma consumada, e oito na forma tentada e, ainda, pelos crimes de uso de substâncias explosivas ou análogas, e porte ilegal de armas.


O representante do Ministério Público mostrou-se sempre convicto, durante as alegações finais, de que ambos os arguidos deveriam ser julgados em co-autoria, adiantando que a actuação de ambos foi comparável à de um "pelotão de fuzilamento".


De facto, a dureza do crime de homicídio foi o principal ponto realçado pelo juíz Abílio Ramalho durante a leitura do acórdão, que considerou "gratuita" a acção de João Vaz e Bruno Araújo.


Assim, foram aplicadas penas de 21 anos de prisão, pelo homicídio qualificado, na forma consumada, de Sérgio Reis (porteiro do Kremlin), a cada um dos arguidos. Ambos foram ainda condenados a nove anos de prisão por quatro crimes de homicídio qualificado na forma tentada (um cliente e três seguranças), sete anos por quatro crimes de homicídio na forma tentada (contra igual número de pessoas que escaparam ilesas), e um ano e meio de prisão por posse ilegal de arma. Assim, em termos práticos, ambos irão cumprir 25 anos de prisão, pena máxima por lei.


Bruno Araújo e João Vaz terão também de pagar um total de 245 mil euros de indemnizações à família do porteiro assassinado, e a um cliente que ficou ferido.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)